«Um sinal de esperança nesta crise é o protagonismo das
mulheres», afirmou o Papa Francisco em um livro-entrevista com o jornalista
Austen Ivereigh, com o olhar na pós-pandemia. A nomeação da teóloga argentina
Emilce Cuda (@CudaEmilce) como nova chefe do escritório da Pontifícia Comissão para a América
Latina, que estará ao lado do filósofo mexicano Rodrigo Guerra López, cumpre
esse desejo do Pontífice.
A América Latina transborda
A América Latina transborda é outro conceito bergogliano. A nomeação de Cuda pode ser compreendida como parte desse transbordamento que, há anos, provoca como consultora do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e da Conferência Episcopal Argentina (CEA). Agora, no seu cargo no Vaticano, deverá acompanhar a próxima assembleia eclesial de novembro, no México. Um encontro em sintonia com o processo sinodal vivido pela Igreja universal, já que não será um evento só de bispos, mas todo o povo de Deus desse continente se reunirá (uma parte presencial e a maioria virtual) para discernir os desafios atuais.
O telefonema do cardeal
Cuda, teóloga do fim do mundo, está casada com um estadunidense católico.
Nasceu há 55 anos e foi criada num bairro
populoso da província de Buenos Aires. A sua origem na classe trabalhadora não
impediu que estudasse Filosofia na Universidade de Buenos Aires e Teologia na Universidade
Católica Argentina. Estudou também Ciências Políticas e Economia e Negócios nos
Estados Unidos.
Uma das conquistas académicas da nova chefe do escritório da
Pontifícia Comissão para a América Latina é ter vencido o concurso para a
coordenação de um grupo de trabalho internacional do Conselho Latino-Americano
de Ciências Sociais, uma rede institucional internacional não governamental,
criada em 1967, com status associativo na UNESCO, que reúne mais de 800 centros
de pesquisa e pós-graduação de 55 países. A argentina chegou a ela com o
conceito de teologia do povo, menos famoso que o de libertação.
O conselho latino-americano está numa linha de pensamento
distante da Igreja Católica, mas Cuda e Scannone conseguiram avançar com a
epistemologia do sul, porque olharam o mundo a partir do fim do mundo, não como
a maioria das concepções académicas latino-americanas, que analisam o mundo a
partir da visão dos intelectuais europeus ou anglo-saxões.
Cuda também dedicou muitos anos da sua vida ao diálogo com
os sindicatos e com os excluídos organizados que são conhecidos como movimentos
populares, muito numerosos na América Latina, sobretudo na Argentina.
«Um erro funcionalista é acreditar que basta apenas colocar
mulheres em cargos de direção», disse o Papa Francisco, em Vamos sonhar juntos,
livro fruto de sua conversa com o jornalista Ivereigh.
Francisco deseja, com a teóloga da sua pátria, integrar a sua
sensibilidade e conhecimentos nas ações da Santa Sé para América Latina.
Tradução: Centro de
Promoção de Agentes de Transformação (CEPAT)

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