Há uma pergunta neste texto: o amor dos adultos é difícil e por isso desistimos dele muito facilmente?

Aqui estou outra vez a pensar em presentes,
mas não é numa de consumismo,
é mesmo a pensar no que eles significam.

O que mais me irrita de longe,
nem é as pessoas que entopem as crianças de presentes...
- se podem e querem fazê-lo, qual é o mal?

O meu grande problema é aquela coisa de se achar que o Natal é para as crianças,
que só os miúdos têm direito a serem animados, mimados, apaparicados, amados, iluminados,

como se uma pessoa, lá porque cresce, ficasse automaticamente expulsa do paraíso,
ficasse má pessoa, já não merecesse ser amada,
já não merecesse que, por um dia, se lhe perdoassem os pecados (e as crianças, são perfeitas?) do ano,
já não merecesse que se lhe diga 'gosto de ti e estou a fazer este esforço porque também quero que gostes de mim'. 

O amor dos adultos é difícil e por isso desistimos dele muito facilmente.
Vemos nele as nossas próprias falhas como pessoas, não gostamos, olhamos para o outro lado.

Por isso, no Natal, os presentes vão para as crianças.

Por isso nos arruinamos até à falta de ar em telemóveis que eles vão perder amanhã e jogos que não lhes trazem grande coisa,
e aos adultos nada.

Com tanto adulto a precisar de um mimo,
de um presentinho,
de qualquer coisa que lhe mostre como é especial e o reconcilie com o resto de um ano tão negro...
Campanha deste Natal: adopte um adulto.

Ele vai agradecer-lhe muito mais do que as crianças (essas ingratas).

Catarina Fonseca, jornalista, em Facebook

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