Uma criança está a chegar para nos salvar. E vai dizer para fazermos o melhor pelas crianças que temos
Há cerca de dois mil anos, os pais do menino, José e Maria, encontram
um simples abrigo para o seu nascimento. Eles não foram acolhidos pelos
habitantes de Belém. E, na capital, as classes altas temeram aquela criança.
O nascimento do Menino Jesus, em circunstâncias simples e
confusas, foi pouco notado, exceto por um grupo de pastores e três
pesquisadores que o encontraram.
Jesus começou a crescer «em estatura, sabedoria e graça».
Mas não encontrou graça entre o governo, que não estava
feliz com as histórias sobre ele e enviou soldados para Belém, para eliminarem
todas as crianças da sua idade.
Mas José pegou no menino e foi com Maria para outra terra,
outro país, algum menos hostil.
Dois mil anos depois, os governos ainda são hostis aos
simples, aos pobres, aos imigrantes, aos refugiados. Pessoas deslocadas ainda
dormem na lama e ao frio.
Em dois mil anos, a história do Menino Jesus não nos ensinou
nada?
Ainda ignoramos famílias grávidas sem um lugar para morar…
Ainda olhamos com desconfiança para pessoas de diferentes
raças ou religiões…
Ainda permitimos que os governos matem crianças – aquelas
que ainda não nasceram e apresentam um inconveniente; aquelas que já nasceram e
estão a sofrer fome e doenças...
O mundo está preso num narcisismo internacional...
Hoje, com poucas exceções, existe um desrespeito total pela
vida.
A cada ano, milhões de crianças não são bem-vindas ao mundo.
Outros, muito jovens, morrem de doenças e fome.
«Estamos a entrar numa cultura de indiferença em que tentamos fugir dos problemas, da fome, da dor, da falta de trabalho...», tem dito o Papa Francisco.
Se a sociedade não consegue reconhecer o valor da vida
humana, podemos simplesmente estar a olhar para o nosso umbigo, e não para a
estrela, que nos leva ao encontro do outro, do que nos traz a experiência da
fraternidade e da paz.
Phyllis Zagano, teóloga dos Estados Unidos
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