O Reino de Deus faz maravilhas no coração das pessoas que praticam o ecumenismo

O Reino de Deus, revelado pelo Verbo Encarnado, iniciou uma nova marcha da história e fez maravilhas no coração das pessoas abertas à humanidade, à esperança, à fraternidade, à paz, à espiritualidade e à salvação.

O ecumenismo é uma grande preocupação da Igreja Católica, e de outras Igrejas, tendo o Concílio Vaticano II proclamado doutrina através da declaração “Nostra Aetate” e do decreto “Unitatis Redintegratio”.

O tema, o desafio e a fé
O tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2022, «Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo» (Mt 2, 2), quer ser um convite para que os cristãos sejam um símbolo como a Estrela de Belém: «Os cristãos do Oriente Médio encontraram na 'estrela' uma imagem da vocação cristã. A estrela foi o sinal que guiou os Reis Magos de lugares distantes e de diferentes culturas até o Menino Jesus e representa uma imagem de como os cristãos se unem em comunhão entre eles ao se aproximarem de Cristo», lê-se no texto preparado pelo grupo internacional designado em conjunto pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas.

Mais ainda se afirma: «Nunca como nestes tempos difíceis sentimos a necessidade de uma luz que vença as trevas, e essa luz, como proclamam os cristãos, se manifestou em Jesus Cristo.» E expressa-se a fé: «A estrela de Belém é um sinal de que Deus caminha com seu povo, sente suas dores, escuta seus gritos e lhes demonstra compaixão. Isso nos garante que, mesmo que circunstâncias mudem e terríveis desastres possam acontecer, a fidelidade de Deus é infalível. O Senhor não dorme nem descansa. Ele caminha ao lado de seu povo e o traz de volta quando se veem perdidos ou em perigo. A jornada da fé é essa caminhada com Deus, que sempre contempla seu povo e nos guia nos complexos caminhos da história e da vida.»
 
O movimento ecuménico
Na constituição «Gaudium et Spes», do Vaticano II, lemos: «E o que fica dito vale não só para os cristãos, mas para todos os homens de boa vontade em cujos corações a graça opera ocultamente”.
Por movimento ecuménico entendem-se as atividades e iniciativas que são suscitadas e ordenadas, no sentido de fomentar a unidade dos cristãos. Sublinha-se a necessidade de diálogo fecundo e sincero, reconhecendo a diversidade com estima, respeito e concórdia.
A Comissão Luterana-Católica sobre a Unidade tem trabalhado com afinco para produzir uma compreensão partilhada dessa comemoração.
 
Há um só Deus e todos somos a família de Deus
«Há um só Deus e Pai de Todos» (Efésios 4, 6). O Reino de Deus é muito grande, e diversos são os caminhos…
 
«Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, que age por todos e permanece em todos» (Efésios 4, 4-6)
 
“Pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mateus 18, 20)
 
Somos caminheiros da verdade, da beleza e da bondade, e encontramos referências e luzes e escutamos vozes e sons da eternidade que levam à harmonia existencial, à verdadeira estrutura antropológica.
 
Ecoa no nosso íntimo a oração de Jesus: «Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim» (João 17, 20-23).
 
«Todos os que o pai me dá virão a mim; e quem vier a mim eu não os rejeitarei», diz Jesus, o Bom Pastor (João 6, 37).
 
«Não há diferença entre judeu ou grego (…), pois todos temos o mesmo Senhor, rico para todos que invocam. Todo aquele que invocar o Senhor será Salvo» (Romanos 10, 12)
 
«De facto, num só Espirito, fomos todos batizados para formar um só corpo, judeus, gregos escravos ou libres e todos bebemos de um só espírito” (1.ª Coríntios 12, 13).
 
«Todos vós sóis um em Cristo Jesus» (Gálatas 2, 7).
 
«A vontade divina é unir os filhos de Deus dispersos. para que todos tenham a vida plena e vigorosa e nenhum se perca» (João 10, 10).
 
«Eu sou o Bom Pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me. (…)  Haverá um só rebanho e um só pastor.» (João 10, 14-16).
 
Estudo, diálogo e anúncio
Precisamos de aprofundar o património bíblico, teológico, litúrgico e espiritual com o conhecimento recíproco, com a conversão do coração e com a oração, no respeito da alteridade e da identidade das diversas Igrejas.
 
«Não haverá paz entre as nações sem a paz entre as religiões. Não haverá paz entre as religiões sem o diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões se não se investigam os fundamentos das religiões», sublinhou o teólogo Hans Kung, perito no Concílio Vaticano II e criador da Fundação para a Ética Mundial (1995).
 
O acolhimento é hoje um grande sinal de misericórdia, onde a proximidade e a compaixão desenvolvem o espírito de unidade.
 
De acordo com o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, através do documento “Diálogo e Anúncio”, de 1991, aponta-se as diversas formas de diálogo.
 
O dialogo é sempre uma viagem fraterna e um caminhar em conjunto em direção à verdade.
 
Temos o diálogo de vida, o diálogo de obras, o diálogo de intercâmbios teológicos e de experiências religiosas.
 
No que se refere ao dialogo de obras, entende-se o que se estabelece quando pessoas de diferentes tradições religiosas se unem para realizar iniciativas sociais e humanitárias.
Há necessidade de fomentar a cultura do dialogo e da comunhão.
 
Temos necessidade de desenvolver a cultura da misericórdia e da ternura.
A ideia principal da Igreja católica com o dialogo ecuménico e inter-religioso é o de encontrar na pessoa humana um amigo, um irmão, que transporta consigo os seus valores e suas propostas para o mundo.
 
Embora haja discordâncias, sem duvida, existem valores em comum.
 
O importante documento «Do Conflito à Comunhão», reconheceu que as tradições Católica e Luterana abordassem o aniversário numa era ecuménica, após conquistas de cinquenta anos de diálogo e com novas compreensões da sua própria história e teologia. 
 
«Deixemos as diferenças com Deus… Ele une! A espiritualidade une a todos os que tem fé em Deus Pai.»
 
O dom e o chamamento de Deus são irrevogáveis… «A consciência é o núcleo mais secreto do homem, o santuário onde ele está a sós com Deus, cuja voz ressoa no seu íntimo.»
 
Diretrizes católicas
 
«Reconheço, na verdade que Deus não faz aceção de pessoas» (Atos dos Apóstolos 10, 34).
 
«É necessária a escuta da palavra profética, estando atentos às alegrias, às esperanças, às tristezas e às angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem» (Gaudium et Spes)
 
«As diretrizes para as soluções da humanidade requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza» (Laudato Si’).
 
«O diálogo autêntico entre as diferentes confeções religiosas torna-se fundamental para resolver conflitos que abalam a paz entre os povos» (Papa Francisco, 10.1.2017).
 
«Muitos cristãos de diversas igrejas trabalham juntos ao serviço da uma humanidade necessitada, na defesa da vida e da sua dignidade, da criação e contra as injustiças» (Papa Francisco, vídeo, janeiro de 2017)
 
Ecumenismo e mudança social
Há indicadores que perturbam a convivência da humanidade na Casa Comum, criando situações difíceis em varias partes do nosso planeta: escravatura, violência, fome, trafico de seres humanos, racismo, exploração de mulheres, refugiados, emigrantes, imigrantes, casamento forçado, mutilação genital, falta de educação, ignorância, desprezo pelos valores humanos, desemprego, sem-abrigo, sem terra, carência de água…
 
As Igrejas desempenham ações fundamentais para o bem-estar da humanidade.
 
José Rodrigues Lima

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