São tão nossos, que esperamos que os outros tratem os nossos filhos como se fossem seus próprios filhos.
A alegria de ser pai e mãe é algo tão indescritível, que se desejarmos encontrar uma definição teremos, com certeza, muita dificuldade em a definir.
Cada um de nós é sempre filho de alguém e, juntamente com o nascimento de cada um de nós também surgiu o desejo de que tivéssemos um mundo perfeito onde viver e, sobretudo, que cada um dos outros vele por cada um de nós.
Será que assim é feito? Cuidamos de cada filho dos outros como desejamos para os nossos? Questões intrincadas e, que exigem a vivência de um paradoxo: o abandono da posse sobre o que pensamos ser nosso e, o cuidar daquele que julgamos ser responsabilidade do outro. Ao refletirmos com profundidade sobre estas questões chegaremos ao âmago da questão sobre a sobrevivência humana: apenas existiremos enquanto cuidarmos uns dos outros!
Seremos sempre pais e filhos de alguém para toda a vida.
A fecundidade está para além da carne e, é fruto de uma profunda relação de amor livre e desinteressado. É desejo, senão de todos, da maioria dos progenitores que os seus filhos da carne reconheçam e mantenham o vínculo biológico que os liga. Contudo, se a questão da fecundidade ficar-se apenas na relação biológica, será sempre uma fecundidade pobre e nada frutuosa.
Na maioria das vezes o ser fecundo não envolve a carne, é fruto de algo mais profundo que se perpétua para além da carne. O que transmitimos a partir de cada uma das nossas ações é legado universal para a humanidade. É mais transformador do que a desmutiplicação das cadeias de ADN que nos dão formas. Dizemos ser família do coração porque na nossa forma de ser sensível temos de dar um corpo ao transcendente, que temos dificuldade em entender.
Cada um de nós transporta em si e, é reflexo de milhares de instantes de aprendizagens que não são do sangue. Proveem daqueles sinais com que fomos sendo inspirados por aqueles com que nos vamos cruzando, lidamos, nos marcam e, que depois de terem partido os mantemos vivos nos seus gestos por cada um de nós replicados vezes sem conta ao longo de cada uma das nossas vidas. Esta é a verdadeira fecundidade porque nunca nos deixa ser órfãos!
Miguel Abreu, antigo-seminarista, em Facebook
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