O mundo diz-me que serei feliz se for rico, se tiver poder
ou prestígio social, se não me deixar sobrecarregar, se for mais esperto do que
os outros nos negócios, se vou de diversão em diversão, se não me meto em conflitos,
se não me insultam nem me perseguem...
Jesus, por outro lado, oferece-me um código de felicidade
radicalmente diferente e implausível: Queres ser feliz...? — diz-me Ele —,
então, contenta-te com pouco, divide o que tens com quem não tem, aprende a
sofrer, diz sempre a verdade, não sejas violento, trabalha para que a justiça
prevaleça, não tentes tirar vantagem de ninguém... e não te preocupe se eles te
insultarem e perseguirem por tudo isso, porque a longo prazo serás muito mais
feliz.
Então, a pergunta fundamental é: Eu acredito em Jesus? Acredito
nele? Confio nele? Estou disposto a viver compartilhando, perdoando, semeando a
paz, trabalhando pela justiça, agindo sempre com sinceridade e sem medo de
sofrer? Arrisco tudo apostando em alguns critérios no fio da linha?...
Dizer sim, que me arrisco, que mudo a minha vida, é ter fé
em Jesus; o resto será outra coisa.
Eu acredito em Jesus se é Ele quem dá sentido à minha vida;
se é Ele quem comanda os meus critérios e os meus valores; se acredito que
esses critérios são os que podem salvar o mundo do desastre e me comprometo com
a tarefa de o fazer... Porque a fé não é um privilégio concedido a uns e
proibido a outros, mas sim o firme compromisso com um modo de vida, que não só
promete felicidade, mas também nos permite colaborar com Deus na tarefa de
levar a bom termo o seu plano de salvação...
É difícil imaginar uma tarefa mais emocionante do que esta,
mas é preciso confiar muito em Jesus para abraçá-la com fervor e levá-la até as
últimas consequências. Estamos entusiasmados com Jesus, mas só confiamos nele
até ao momento em que ele nos convida a sair da nossa zona de conforto. Um
exemplo é o texto de Lucas: «Bem-aventurados os pobres», ou o de Marcos: «Vende
o que tens, dá aos pobres e segue-me», mas como somos ricos e a pobreza nos
assusta (Jesus não fala de miséria), optamos pelos critérios do mundo em vez
dos dele.
E não duvidamos que é Jesus quem está certo; que o caminho
proposto por Ele é o único que leva à felicidade (embora Jesus não seja o único
que o propõe), mas falta-nos a coragem de empreendê-lo. Como disse Jon Sobrino,
padre e teólogo espanhol que vive em El Salvador, numa palestra em Pamplona: «É
disso que temos medo; ser feliz de maneira cristã.»
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Miguel Ángel Munárriz Casajús, em Fé Adulta
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