«Deus não precisa nem de prata nem de ouro, mas os pobres sim, para comer» (São Lourenço).
«O amor não conhece barreiras. Ele salta obstáculos, pula cercas, penetra paredes para chegar ao seu destino cheio de esperança» (Maya Angelou).
A Caridade é testemunhar o amor de Deus por cada pessoa, como fez o Bom Samaritano (Lc 10, 29-37). Esta parábola contada por Jesus teve um impacto bastante forte nos que o ouviam, mas também tem para nós hoje. Os samaritanos eram considerados hereges pelos judeus e dos quais se deviam manter bem afastados.
Ela representa o caminho que cada cristão tem de enfrentar para a libertação do egoísmo, do individualismo, da autossuficiência, para pôr no centro o cuidado do outro. Podemos ter a catequese toda, todos os sacramentos em dia, cumprir com todos os rituais e rezas, mas tudo isso não nos faz verdadeiros cristãos.
A caridade brota da Eucaristia, que torna presente «o amor até ao extremo» de Cristo, isto é, a Eucaristia, pela humanidade "aqui e agora". A missa deve fazer o pão de Cristo ir ao encontro do ser humano. O cardeal Carlo Maria Martini disse que «o cristão é aquele que ama o próximo, porque vai à missa dominical».
A Cáritas, por sua vez, ajuda a pessoa a resolver os seus problemas. Não é um grupo que distribui pacotes solidários - tudo se reduziria a uma tarefa assistencial, de serviço. A caridade das mãos deve ser precedida pela caridade do cérebro, que é conhecer as necessidades do ser humano e a possibilidade de as prevenir. Trata-se de promoção humana. Infelizmente, muitas das vezes, as Cáritas diocesanas limitam-se ao puro assistencialismo, que não responsabiliza o pobre e nem sequer o empurra para fora da sua situação de pobreza.
O objetivo da Cáritas é apoiar a formação de uma cultura de solidariedade e os seus destinatários não são os pobres, mas a comunidade cristã que ajuda os pobres.
A Cáritas diocesana e paroquial é chamada a tornar-se pão partido para os outros. Não podemos esquecer que a fé sem obras reduz-se a um sentimentalismo. Se o serviço caritativo fracassasse, o anúncio do Evangelho ficaria seriamente comprometido, a fé correria o risco de se tornar uma ideologia ou uma intimidade piedosa com um "deus" feito, mais ou menos, à nossa imagem e semelhança.
Temos de ir muito mais além do envio de caravanas solidárias para a Ucrânia e países vizinhos. Temos de abrir as portas das nossas casas para acolher e integrar os refugiados nas nossas comunidades.
Paulo Victória, professor, em iMissio
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