Este relato é verdadeiro. Foi cronista Mari Paz Lopez Santos (pazsantos@pazsantos.com), casada, mãe de dois filhos e uma filha, cronista no boletim informativo Eclesalia
«Fomos buscar os nossos dois netos à escola e, depois, levámo-los à catequese. Para eles é uma tarde especial, porque, entre uma coisa e outra, saem para lanchar com os avós. Todos nós adoramos.
Estávamos num refeitório com pão e bebida com chocolate, eles, e pão e café, os avós, quando o garotinho (7 anos) nos olha com aquela cara que as crianças fazem quando alguma ideia está a girar na cabeça e eles vão soltá-la de um momento para o outro.
– Vovó… Porquê os padres são apenas homens? Porque não há mulheres que são padres? – e deu uma trinca ao pão enquanto esperava por uma resposta.
– Isso também eu me pergunto – respondi.
Ele tomou um gole da bebida e acrescentou com uma cara séria e muita convicção:
– Pois, eu não entendo!
Então, perguntei ao seu irmão (9 anos) o que achava das mulheres não poderem ser padres.
– Eu também não entendo! – disse sem mais explicações, e entregou-se ao seu lanche.
O avô e a avó, após a conversa, trocámos sorrisos de olhar, porque, na realidade, não havia nada a acrescentar.
As crianças surpreendem. Devemos estar atentos às suas perguntas e levá-las a sério. Elas são o futuro e nesse futuro há coisas que não cabem mais.
Com as crianças, a realidade supera o que nós adultos podemos inventar. Eles são mais simples e mais contundentes, e explicam-se com poucas palavras.
Este não é um conto nem um relato inventado. Sou simplesmente a cronista.»
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