Fundamentação bíblica
A Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano parte
do trecho da Carta de São Paulo aos Gálatas «não nos cansemos de fazer o bem;
porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido» (Gl 6, 9-10a). São
Paulo usa a imagem da sementeira e da colheita, para dizer que as virtudes tem
de ser cultivadas.
Escreve Francisco que «o primeiro agricultor
é o próprio Deus, que generosamente «continua a espalhar sementes de bem na
humanidade». E nós somos chamados por Ele a ser seus cooperadores, com alegria,
criatividade e generosidade.
«Frutos de santificação para a salvação de todos»
Refletindo sobre a colheita, a mensagem pontifícia quaresmal
diz que «um primeiro fruto do bem semeado temo-lo em nós mesmos e nas nossas
relações diárias, incluindo os gestos mais insignificantes de bondade. Em Deus,
nenhum ato de amor, por mais pequeno que seja, e nenhuma das nossas generosas
fadigas se perde. Tal como a árvore se reconhece pelos frutos (cf. Mt 7,
16.20), assim também a vida repleta de obras boas é luminosa (cf. Mt 5, 14-16)
e difunde pelo mundo o perfume de Cristo (cf. 2 Cor 2, 15). Servir a Deus,
livres do pecado, faz maturar frutos de santificação para a salvação de todos (cf. Rm 6, 22)».
O bem multiplica sempre
O Papa Francisco também medita na lógica do Reino de Deus
que multiplica o bem que se faz: «Segundo o dito evangélico, “um é o que semeia
e outro o que ceifa” (Jo 4, 37). Semear o bem para os outros liberta-nos das
lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa atividade a respiração
ampla da gratuidade, inserindo-nos no horizonte maravilhoso dos desígnios
benfazejos de Deus.»
Perigos no caminho
Francisco alerta para alguns perigos no caminho: «Perante a
amarga desilusão por tantos sonhos desfeitos, a inquietação com os desafios a
enfrentar, o desconsolo pela pobreza de meios à disposição, a tentação é
fechar-se num egoísmo individualista e, à vista dos sofrimentos alheios,
refugiar-se na indiferença».
Itinerário de amor fraterno
Contra estas tentações, ele sugere que não nos cansemos de
rezar, de extirpar o mal da nossa vida, de pedir perdão, de combater a
fragilidade que inclina para o egoísmo e todo o mal. E conclui a reflexão com
uma profunda exortação à prática do amor fraterno: «Procurar, e não evitar,
quem passa necessidade; chamar, e não ignorar, quem deseja atenção e uma boa
palavra; visitar, e não abandonar, quem sofre a solidão; praticar o bem para
com todos, reservando tempo para amar os mais pequenos e indefesos, os
abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados. Não nos cansemos
de semear o bem. O jejum prepara o terreno, a oração rega, a caridade
fecunda-o. […] Praticando o amor
fraterno para com todos, estamos unidos a Cristo, que deu a sua vida por nós
(cf. 2 Cor 5, 14-15), e saboreamos desde já a alegria do Reino dos Céus, quando
Deus for «tudo em todos» (1 Cor 15, 28).»
Fernando Félix Ferreira
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