O que se diz dos poetas e das poetisas, diz-se também dos que tentam ver o mundo com os olhos do coração?

O professor quer ensinar.
O médico quer curar.
O juiz quer decidir.
O poeta quer paz.
O poeta não quer ser poeta. Não escolheu ser poeta. Ninguém escolheria ser poeta. Ninguém escolheria prescindir de si.
Ser poeta não é uma vocação. É uma maldição.
O poeta está assombrado. Tudo o persegue. Tudo o assombra. Na escuridão da noite e à luz do dia.
Só o poeta vê para dar a ver.
Só o poeta olha para as coisas como se nunca as tivesse visto.
Só o poeta se espanta com a novidade das coisas conhecidas.
Só o poeta ouve o chamamento de todas as coisas.
Sem o poeta o mundo não se fazia ouvir.
O poeta sabe que foi escolhido para tornar a vida inteligível aos outros.
E, por isso, a vida não poupa o poeta.
Quanto mais ele conhecer, maior será o conhecimento dos outros.
Quanto mais ele sofrer, menor será o sofrimento dos outros.
A dor do poeta suaviza a dor dos outros.
A vida vira o poeta do avesso para que ele possa mostrar o lado certo.
O poeta estará sempre sozinho.
A solidão é o silêncio de que o poeta precisa para ouvir a voz de tudo o que toca e de tudo o que imagina.
A solidão é a condição do poeta.
O seu compromisso com a vida é absoluto.
O poeta não consegue trair este amor que não escolheu precisamente porque não teve escolha.
Tudo o que o poeta faça será fiel à sua natureza.
Toda a natureza está no poeta.
Todos os homens vivem no poeta.
O poeta tem a alma em carne viva.
Ninguém escolheria viver assim.

Elisabete Bárbara, em Facebook 

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