«Eu vou à missa quando me apetece. Para quê ir contrafeito? A missa é um convite feito por Deus para um banquete em família»
Mas nem tudo na vida tem a ver com desejos ou com apetites.
Eu vou à missa quando me apetece.
Para quê ir contrafeito?
E
trabalhar? Aí tem de ser… E ir à escola? Como não?
Também uma constipação, alguma doença, um dente a nascer, fazem com
que os pais estejam enlevados o tempo todo, não conseguindo dormir bem nem de
noite nem de dia, pois o cérebro mantém-se ligado.
Se o bebé chorar dez vezes
durante a noite, a mãe ou o pai, ou à vez, hão de se levantar de todas as vezes
para ir engalhar o menino, ver o que tem e ver se precisa de comer, de mudar a
fralda ou simplesmente de sentir a presença materna/ paterna. Os pais
levantam-se cinco vezes ou quinze vezes, não por prazer, desejo, não por gosto
ou por vontade, mas fazem-no por amor, com sacrifício, cansados, ensonados e
até irritadiços quando voltam a ouvir chorar o filho. Mas levantam-se por amor,
uma obrigação que vem de dentro, que vem do coração. Fá-lo-ão com satisfação?
Duvido!
Voltemos então à questão inicial:
Não vou à missa.
Vou
apenas quando me apetece.
Vou quando não tenho que fazer.
Ou iria se o horário
fosse outro, mas este horário não me dá muito jeito. Trabalho toda a semana, o
Domingo é o único dia que tenho para descansar e me levantar um pouco mais
tarde.
E ao sábado à tarde? Ao sábado é quando arrumamos a casa, vamos às
compras ou é tempo para algum lazer, para caminhar, ver um filme, para ir até
ao café estar com os amigos.
Se tivesse mais tempo, eu ia à missa.
Vendo bem,
estes argumentos são razoáveis, justos e defensáveis!
Afinal, nós conseguimos
arranjar justificações para o que não nos apetece fazer ou para compromissos a
que ninguém nos obriga:
Não vou à missa porque não gosto do padre. Não me identifico
com as homilias que ele faz. Demora muito. Repete as mesmas coisas. Só fala do
Evangelho, que já ouvimos antes.
A Igreja precisa de evoluir, ficou parada no
tempo. Há dias fui a uma missa, a um casamento, e gostei. O padre era
engraçado, falava bem, divertiu-nos bastante. Se todos os padres fossem assim,
as igrejas estavam cheias, até eu ia mais vezes à missa. Contou uma anedota que
pôs toda a gente a rir. Assim vale a pena.
Já todos ouvimos estes argumentos. Uma e outra vez.
E
identificamo-nos com algumas destas explicações e até acrescentaríamos outras.
É certo que o sacerdote não é simplesmente um autómato, a sua maneira de ser e
de estar e de falar pode cativar mais ou fazer com que as pessoas se sintam
acolhidas, reconhecidas, parte importante na celebração. Porém, a Eucaristia,
como os demais sacramentos, não é obra do padre, não tem a ver com apetites ou
desejos, ainda que os tenhamos, tem que ver com fé, com compromissos, tem a ver
com amor.
Por vezes, somos convidados e não nos apetece muito sair de casa ou
apetecer-nos-ia estar noutro lugar, mas vamos por amizade, por consideração,
por estima (ou por dever profissional).
A Eucaristia é, antes de mais, um
convite a que respondemos. É Deus que nos convoca. Convoca-nos através da
Igreja, que também somos, mas é um convite.
Se temos fé, acolhemos o convite.
Se amamos a Deus de todo o coração, vamos querer estar onde Ele nos quer, num
espaço e num tempo em que nos reunimos como família, como assembleia. Trata-se
de responder a um convite, no qual todos contamos, como filhos, como amigos de
Jesus.
P.e Manuel Gonçalves, in Voz de Lamego,
ano 92/20, n.º 4651,
30 de março de 2022

Muito bom, mesmo!
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