Milhares de freiras africanas reclamam uma maior participação na Igreja

Se o papel da mulher na Igreja já é uma fonte de controvérsia nos "velhos" países "católicos", em África quase parece uma quimera. Muitas mulheres, especialmente freiras, sofreram, e continuam a sofrer, episódios de assédio, servidão ou vivem em condições de semi-escravidão devido ao patriarcado em que a instituição eclesiástica ainda hoje se encontra submersa.

Por ocasião do Sínodo de 2023, algumas delas disseram que já chega. Como relata Katholische, cerca de duas mil freiras africanas de uma desena de países, estão a elaborar o seu próprio contributo para o processo sinodal lançado pelo Papa Francisco. Com o apoio de Missio, a Associação de Religiosas da África Oriental e Central (ACWECA) está a colaborar com o processo. Dita instituição engloba cerca de trinta mil religiosas de mais de trezentas congregações.

Ouvir as vozes silenciadas das mulheres religiosas
«Preocupa-nos que o apelo do Papa Francisco para participar no processo sinodal não ouça as vozes das religiosas», disse a secretária-geral do ACWECA, Bridgita S. Mwawasi. Pela sua parte, o vice-presidente da Missio, Gregor von Fürstenberg, sublinhou como as religiosas estão na sua maioria na vanguarda do trabalho da igreja, mas que as suas experiências são pouco apreciadas: «São confrontados com a pobreza extrema e a instabilidade política e ajudam as pessoas afectadas. Ao mesmo tempo, as suas realizações e experiências são pouco notadas e têm muito pouco a dizer na igreja.»

Face feminina da religião africana
O projecto representa principalmente os interesses das pequenas e jovens ordens religiosas, que quase não possuem redes internacionai. «Juntamente com as irmãs, queremos fortalecer a sua voz na igreja local e na igreja global», explicou Gregor von Fürstenberg.

Jesús Bastante, Religión Digital

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