Que Igreja?

Talvez a primeira questão de todas seja: enquanto baptizado, que Igreja sou eu? Cada vez mais profundamente embrenhados num modo de vida e num mundo que suga a vida, a pessoa humana vai-se esquecendo das suas dimensões: relacional e transcendente. Ambas de importância vital para a descoberta e vivência de uma humanidade verdadeira.

O sentimento de corresponsabilidade na edificação da Igreja solidifica-se à medida que a descoberta do ser pessoa acontece e a única e mesma fé se torna numa vivência comum, deixando de ser algo exclusivo de um só indivíduo. Aqui chegados, abre-se o espaço à recriação quotidiana da Igreja e do ser. O teu coração está disponível para acolher?

Talvez tenhamos chegado a um quase deserto porque precisamos de uma Igreja menos sedentária, que ensine a rezar e a descobrir a novidade da humanidade que é intrínseca a cada pessoa humana.

Talvez tenhamos chegado aqui pelo fecho das capelas, que foram criadas pelas pessoas para estarem próximo das pessoas.

Talvez tenhamos chegado aqui porque a Igreja cada vez parece mais afastada, burocrática e com imensas dificuldades no agendamento de encontro com os "pastores".

Talvez tenhamos chegado aqui porque as paróquias se tenham tornado em centros hiperactivos, deixando de ter tempos de escuta, de ter tempos de silêncio, de ter tempos de meditação e, de ter tempos de reconciliação.

Talvez tenhamos chegado aqui porque se dá tudo como certo e adquirido, sem querer experimentar o sacrifício, o serviço e a doação de si mesmo. 

Talvez... porque a Igreja não são os outros, sente a tua falta e precise ti.

Miguel Abreu
Estudou Curso Básico de Teologia,
Centro de Cultura Católica do Porto

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