«É notória a generalizada falta de vivência fraterna entre os membros do clero»

Não sou presbítero. E, talvez porque na minha forma de vida actual vivo em mim duas realidades tão distintas quanto próximas:
sacramento do matrimónio e sacramento da ordem (diácono permanente), estarei mais permeável e sensível a algumas questões relacionadas com a Igreja, com a pessoa humana e a humanidade que nos assiste. Talvez... ou não.

Neste brevíssimo artigo sou específico sobre os temas e abrangente em termos de regiões e pessoas. Tão abrangente, que na minha opinião não poderei deixar de ser influenciado por experiências vividas noutro país.

O que realmente importa é que expresso a minha consternação na condição de baptizado. E nesta condição é com enorme tristeza que constato o estado e rumo da Igreja, sobretudo daqueles que livremente aderiram e tomaram a decisão de oferecer as suas vidas ao serviço do povo de Deus.

O primeiro aspecto a salientar é a notória generalizada falta de vivência fraterna entre os membros do clero. Também não poderei deixar de referir, que em alguns casos é veementemente sentido um afastamento e a grande dificuldade de se chegar ao contacto com um sacerdote - seja numa paróquia, secretariado, etc. Atitudes que levam ao afastamento, descredibilização e, que sobretudo passam como exemplo para os futuros ministros ordenados da Igreja. Já agora, nos seminários que vivências de comunidade eclesial e de fraternidade são experienciadas? Talvez esteja simplesmente a ser um tempo de adaptação à solitude que será vivida após ordenação!?

Infelizmente, atitudes e comportamentos que parecem repetir-se quando se tem a percepção crescente que há cada vez maior distanciamento entre os bispos e restantes membros do clero. Será essa a razão pela qual se vai assistindo a um número crescente de sacerdotes a deixarem o ministério? As dispensas de nomeação ou serviço, como preferirem dizer, não serão a silenciosa maneira de esconder a vergonha e a origem do problema? Urge parar com tanto activismo para reflectir com seriedade e verdade sobre a Igreja que queremos deixar como legado aos futuros baptizados. O risco de deixarmos uma Igreja falida (não a nível económico-financeiro) é enorme e nos tempos que correm, mais do que nunca.

Miguel Abreu

Comentários no Facebook, onde foi publicado:
Tão verdade!

Parabens Meu querido amigo! Beijinhos nossos para toda essa Familia Maravilhosa! Bem hajam

Obrigado por essa partilha. Um bem haja..

Infelizmente sou obrigado a dar-te razão.
Eu como batizado e benzido com todos os sacramentos, que os meus pais, enquanto criança, assim o desejaram para mim, e depois como adulto também, nunca me afastei da Igreja prestando todos os serviços a ela ligados, desde acólito até ao voluntariado, passando pela organização de grandes manifestações religiosas de fé, como foram as majestosas procissões em honra da nossa padroeira.
Já estou presente ao serviço de Igreja paroquial de Espinho, desde tenra idade e por mim passaram alguns sacerdotes, que tudo deram pela nossa Paróquia, arriscando mesmo a dizer, que um Santo esteve entre nós.
Agora desde que a vocação sacerdotal passou a ser mais uma Saída Profissional do que uma missão a prestar a comunidade, a Igreja tem perdido todo o seu sentido da fé e nalguns casos objecto de comércio pessoal.
Não antevejo melhores dias para a Igreja Católica a menos, que os responsáveis eclesiásticos mudem o rumo das coisas e se concentrem no que é verdadeiramente importante, que é cuidar do rebanho que juraram proteger e conduzir.

Belo e acertivo texto. Dói, dói muito termos conhecimento de alguns procedimentos. Algo não está bem sr Diácono. É de arrepiar. Pecado sempre houve, mas camuflado. Não havia tanta comunicação social.......hoje há uma caça à Igreja terrivél. FAÇA-SE LUZ e castiguem se quem denegrida a imagem da igreja de JESUS CRISTO

🙏

Muita, muita oração por todos. Pai perdão misericórdia.

Infelizmente partilho esta reflexão na minha idade ainda tenho esperança de termos uma lgreja mais humana e a acolhedora beijinhos Diácono Miguel

Caro Amigo Miguel, felicito-te pela tua coragem e atitude pelo artigo que partilhaste. tendo em atenção o lugar que ocupas na tua honrada missão Pura realidade, tocaste em tudo que devias tocar, os afastamentos na Igreja cada vez são mais notórios sobre tudo quando começam de cima para baixo. Nunca deixes morrer a verdade, foi por ela que Jesus Cristo entregou a Sua vida. Um grande Abraço.

Olá Miguel!!!! Arrisco-me a dizer que hoje em dia se preparam administradores paróquias (para cuidarem dos bens da igreja) em vez de sacerdotes. Abraço

🙏🏼

Os tempos actuais marcados pelo individualismo tambem marcam a nossa Igreja. Penso que por vezes mais do que os seminários, a questão está numa atenção que se centra mais nos problemas próprios para resolver das realidades eclesiais, que se perde o mais importante, que sao as pessoas. Uma boa interpelação.

Tudo isso é verdade.. mas seria melhor e mais benéfico teres mandado o texto ao Sr. Bispo. Já basta a comunicação social andar à caça às bruxas . Não podemos esconder a verdade, mas assim também não vamos a lado nenhum. É sempre melhor escrever ao nosso Bispo porque vai ser Ele que terá de agir. O Bispo conhecendo o nosso sentir, pode agir melhor. Obrigado. Abraço. Pe. António

Antonio Costa Costa será sempre melhor esconder como a Igreja tem feito ao longo dos tempos????... Não me parece ser esse o melhor caminho!!!...

🙏

👏

Interrogo-me se não está a acontecer a filtragem para se chegar á verdadeira vocação. Quer de sacerdotes párocos quer fiéis movidos por verdadeira fé.
Assiste-se a uma equidistância onde não há culpados nem inocentes. Tudo por falta de uma catequese convincente, fraterna, verdadeira, entre catequistas e catequizandos.
Muitos são chamados e poucos os escolhidos. Acontece que muitos de nós pensamos ser escolhidos e quando chamados á tarefa revelamo-nos, nem chamados.
Quem está disposto a pegar na sua cruz e segui -Lo?

Magnífica publicação. Minhas felicitações! Como católica com todos os sacramentos que meus queridos pais, assim me deram, com imensa tristeza não vejo bons tempos para a Igreja. Algo tem de mudar, muito e melhor, só assim voltaremos a ter a casa do Senhor cheia e com fé. Muito obrigada mais uma vez. Abraço fraterno

Longe o tempo daqueles que apascentavam as suas ovelhas . A igreja tem muita religiosidade mas pouca espiritualidade ! A culpa é dos homens da igreja que se fecham em si mesmos , com receio de algo que não tem : compaixão e amor pelo outro.

The lie of truth, what a fitting statement! (A mentira da verdade, que afirmação apropriada!)

Não comento, mas embora esteja de acordo, no geral, tenho que dizer que há algumas boas exceções. Acredito no Espírito Santo e por isso, embora a Igreja sofra algum abatimento, nunca irá à total falência. Abraços na fraternidade.

Adorei a reflexão. Os responsáveis da Igreja deviam Viver " um fora de portas". A abertura ao Mundo com o Bem e o Mal tem de ser vivido com a comunidade. Gostei da forma como apelas à mudança nas tuas palavras.

Apenas uma coisa a dizer: Grande Abraço

Acho que temos confiar mais no coração misericordioso do Sagrado coração de Jesus quando a dificuldade nos abate olhem para ele quando tudo parecia perdido ele não desistiu e saiu glorioso.

Eu não digo mais nada, mas o que esta Paróquia era e como ela está?

Não nos deixemos perturbar a história da Igreja, ensina-nos o lado humano demasiado humano, mesmo daqueles que, em determinado momento parecem transportar o estandarte da “verdade”. Todos somos frágeis e buscamos Deus da forma que estamos preparados para o receber, mas, também procuramos ser o mais felizes possível, neste mundo controverso, a segurança, o amor… a tranquilidade e a beleza da criação oculta na vida. Deus com Sua presença no mundo e na Igreja caminha junto do seu Povo.

Miguel, o distanciamento não é só entre os Bispos e restantes membros do Clero, infelizmente ... Beijinho bom fim de semana

Há Bispos que ficam contentes quando são nomeados para tão alto cargo. Não entendem as palavras do Papa sobre "cheiro a ovelha", nem se sentem um entre os filhos de Deus, mas apenas um eleito que está acima dos outros. É triste.

Um texto importante e verdadeiro

Subscrevo infinitamente este pensar .... e tudo verdade.

Belo texto em espírito sinodal!

 🙏

Tão triste e preocupantemente certo o que dizes, Miguel. E, depois, isso manifesta-se na pastoral. Ainda ontem, num funeral, o sacerdote não fez homilia, nem dirigiu qualquer palavra à família enlutada. Foi de uma falta de humanismo atroz.

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