«Quando alguém diz que faltam sacerdotes, poder-se-ía dizer que o que realmente falta é que os sacerdotes não tenham medo de perder o poder»
Ela é uma freira que acompanha este movimento há muitos anos
numa vasta região do mundo. E ela cumpre esta missão como o fazem os religiosos
em geral: com empenho, paixão, fidelidade criativa.
O pedido de oficialização não era para solicitar
remuneração. O objetivo era que ela pudesse fazer parte dos encontros
internacionais de capelães, nutrir-se daqueles espaços e que a voz daquela
região do planeta estivesse, assim, ali presente.
De Roma, onde vive esse funcionário, disseram que não
correspondia. E convidaram a encontrar um padre como capelão.
«Como se fosse tão fácil», disseram os postulantes do pedido.
«Os padres que temos na paróquia têm em média 80 anos e só porque há dois
diáconos casados em serviço, conseguem ter alguma presença nas capelas
periféricas.»
«Ou se não – continuou o alto funcionário – poderia ser um
seminarista.»
Que idiota esse indivíduo de Roma! E ele não é o único nas
altas esferas da nossa amada Igreja Católica.
Qual é o critério para rejeitar uma mulher com mais de trinta
anos de consagração, que, para cúmulo, é uma teóloga reconhecida no país, e
nomear um padre que talvez tenha tempo apenas para ir fazer uma oração de cinco
minutos no início da atividade, ou pior ainda, um seminarista, que só terá o
mérito de ser homem...?
Este facto tão irracional, quase risível, repete-se com
demasiada frequência em diferentes cantos do planeta.
Por isso, quando alguém diz que faltam sacerdotes, poder-se-ía dizer que o que realmente falta é que os sacerdotes não tenham medo de perder o poder.
A famosa distribuição de talentos, que é um dos pontos centrais do
Reinado de Jesus de Nazaré, parece-me também ter que ver com isso. A Igreja de
Jesus Cristo tem todos os dons para servir e anunciar, basta querer pô-los a
circular.
Susana Pasqualini, Religión Digital

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