A participação plena e igualitária das mulheres em todas as esferas da vida é um salto antropológico que permite aos seres humanos pensar de uma forma mais verdadeira e profunda.
Não é uma evolução gradual, mas um salto qualitativo que transforma profundamente a mentalidade das novas gerações.
A humanidade precisa que a Igreja não tenha um comportamento adaptativo, mas que promova, na linha da frente, esta redescoberta do humano.
Algumas religiões estão a fazer progressos a este respeito, lenta, mas irreversivelmente.
Este verão, houve uma mudança histórica no budismo tibetano:
a ordenação plena das mulheres foi assumida. O Dalai Lama pronunciou-se a favor
da ordenação plena para as mulheres. Até agora, as mulheres só podiam receber
as ordens correspondentes às noviças, mas era-lhes proibido o passo para o
monaquismo pleno. Isto significava que nenhuma mulher podia exercer plenas
responsabilidades em qualquer mosteiro.
Agora, o budismo dá ordens completas às mulheres. Compreendeu a natureza da mudança epocal que trouxe a liberdade e a plena participação das mulheres.
Este passo foi possível graças ao árduo trabalho de grupos
de mulheres no Butão e no resto do mundo, que aprofundaram a visão do budismo
global.
Fernando Vidal, Vida Nueva Digital
O que aconteceu neste verão? Líder budista no Butão ordena 144 mulheres
«Cento e quarenta e quatro mulheres foram ordenadas como
bhikshunis, ou monjas femininas, no mosteiro de Ramthangkha, no Butão, numa
cerimónia que decorreu na terça-feira, 21 de junho, presidida por Je Khenpo, a
autoridade budista mais importante do pequeno país dos Himalaias», notíciou o Sete Margens.
«A cerimónia “é de importância histórica para todas as
mulheres no budismo e traz o budismo tibetano para o século XXI”, afirmou a
bhikshuni Jampa Tsedroen, autora tibetana alemã, citada pelo The Muslim Times.
“Para estas monjas, é uma grande oportunidade de demonstrar as suas capacidades
de contribuir para o budismo.”
Muitas das novas bhikshunis são butanesas, mas algumas são
originárias de outros países da Ásia. Todas foram consagradas na linhagem do
budismo tibetano.
Damcho Diana Finnegan, freira budista tibetana originária
dos Estados Unidos, co-fundadora da Comunidade de Monjas Dharmadatta, na
Virgínia, considerou a cerimónia “um grande passo para acabar com a
desigualdade institucionalizada entre homens e mulheres no budismo tibetano”.
Este rito, acrescenta o mesmo jornal, culmina um movimento
de décadas a lutar pela consagração religiosa plena das mulheres da linhagem
tibetana, que tem enfrentado uma forte resistência de monges, académicos e
líderes políticos de alto nível em toda a Ásia. Nos últimos anos, o movimento
ganhou dimensão, com o argumento, reivindicado por grupos de mulheres budistas,
de que a prática de ordenação ou consagração foi estabelecida pelo próprio Buda
e foi sendo depois abandonada progressivamente.
De acordo com o Muslim Times, as monjas eram consideradas
fundamentais numa comunidade budista ideal, que deveria incluir monges e
monjas, bem como leigos e leigas. Com os
anos, a guerra, a fome e a doença foram acabando com a experiência das
bhikshunis em todo o Sudeste Asiático e Tibete. Muitas mulheres continuaram a
viver como monjas, mas não consagradas completamente. As regras monásticas
estabeleciam que as bhikshunis devem ser consagradas por outras bhikshunis.
Como não havia, nenhuma podia ser ordenada.
A regra quebrou-se em 1996, quando um grupo de monjas do Sri
Lanka foi consagrado por bhikshunis coreanas da linhagem mahayana, que nunca
foi quebrada. Desde aí, muitas centenas de bhikshunis foram já consagradas no
Sri Lanka, em cerimónias “ecuménicas”, como afirmou a bhikshuni Jampa Tsedroen.»

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