A diocese do Algarve vai implementar no próximo ano pastoral de 2022/2023 uma «nova organização da pastoral paroquial em chave missionária» (...) «A proposta incide numa nova organização territorial/paroquial da diocese, não pelo território em si mesmo, mas tendo presente a nova realidade das comunidades cristãs, as suas proximidades eclesiais, sociológicas e territoriais, a promoção de um dinamismo a partir dos leigos dessas comunidades e numa nova perspetiva do exercício do ministério ordenado, particularmente o presbiteral», explica o documento de trabalho Nova organização da pastoral paroquial em chave missionária, dado a conhecer aos padres, diáconos, consagradas e membros do Conselho de Pastoral da Diocese do Algarve.
O projeto de reorganização da diocese sugere que «passe a estar organizada em três grandes Regiões Pastorais»: Região Pastoral do Barlavento, Região Pastoral do Centro e Região Pastoral do Sotavento.
Cada uma destas regiões terá um Coordenador Pastoral, um sacerdote nomeado pelo bispo diocesano, designado como Vigário Episcopal Regional, «de modo a permitir não só um trabalho pastoral conjunto, como a coordenação e partilha de recursos evangelizadores (pessoas, formação, meios, etc.) nos diferentes Centros Evangelizadores» que existirão dentro de cada região, «compostos por comunidades paroquiais mais próximas e entre as quais haja uma ligação sociológica, com a finalidade de potenciar um caminho pastoral sinodal entre elas», indica o documento.
Cada Região Pastoral terá Centros Evangelizadores. «Cada um destes Centros Evangelizadores terá, por nomeação do Bispo diocesano, um Coordenador Pastoral, que coordenará a organização das estruturas e da pastoral da evangelização local, fomentando a comunhão pastoral entre os presbíteros e entre as comunidades», acrescenta o documento, referindo que «um dos pontos fundamentais é que, das paróquias mais numerosas e pastoralmente mais dinâmicas, possam surgir cristãos que sejam pontos de apoio, animadores, ou até mesmo responsáveis das comunidades cristãs mais pequenas, com a finalidade de nelas gerar, igualmente e se possível, animadores e responsáveis da própria comunidade.»
«Para que estes Centros possam ser fiéis à sua finalidade», o documento diz ser «necessário que os párocos (tendo em conta a idade e a personalidade de cada um) estejam disponíveis para um trabalho de conjunto, de cariz missionário (o que implica estruturas condizentes).»
Sobre o perfil do Vigário Episcopal Regional e do Coordenador do Centro Evangelizador, que também será um sacerdote, é dito que devem «possuir qualidades de coordenação, trabalho em equipa e abertura à inserção e corresponsabilização dos leigos na pastoral paroquial e diocesana». Acerca das suas funções do primeiro é pedido que garanta o «acompanhamento e apoio fraterno ao clero» da sua região. No caso do segundo, que procure «assumir e providenciar tudo o que se refere ao âmbito da liturgia e da administração paroquial».
No âmbito da coordenação da pastoral da região prevê-se que o Vigário Episcopal Regional procure «privilegiar a corresponsabilidade batismal dos leigos, alargar o ministério dos diáconos permanentes e desfrutar do carisma dos consagrados»; «promover um novo paradigma missionário e evangelizador, em que os ministros ordenados sejam promotores dos diferentes carismas e ministérios nas comunidades, em vez de os exercerem»; «acompanhar a aplicação do Programa Pastoral diocesano»; «fomentar, nos diferentes Centros Evangelizadores, o discernimento de possíveis líderes comunitários (candidatos ao diaconado permanente, casais ou pessoas individuais)»; «promover, em articulação com a diocese e os coordenadores dos diferentes Centros Evangelizadores, a formação de líderes comunitários»; e constituir «equipas regionais setoriais com a participação de leigos representativos de toda a Região Pastoral».
A proposta insiste na premência de ser assumido «um novo paradigma pastoral no ser e no agir do presbitério», «em que os ministros ordenados sejam promotores dos diferentes carismas e ministérios nas comunidades, em vez de os exercerem», e em «passar de uma ação pastoral de manutenção e sacramentalista para uma ação onde a evangelização, coordenada e apoiada pelos pastores mas desenvolvida também pelos leigos e diáconos, se torne a base do crescimento e amadurecimento das comunidades cristãs».

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