A Igreja tem presente a juventude
na ação evangelizadora, como parte integrante da missão, pois ela conta com os
batizados, batizadas, jovens para levar a Boa-Nova do Reino de Deus, de Jesus
Cristo, a toda a Humanidade.
Os primeiros séculos do cristianismo deram à juventude uma atenção especial, por ser a fração da comunidade e da sociedade com maior força e vitalidade. A Igreja faz hoje a opção pelos jovens com vista à renovação da comunidade e da sociedade. É por causa de Cristo que a Igreja arroga os jovens para que todos vivam na paz e no amor. O Senhor chama os jovens para uma missão, de forma que Ele seja anunciado e amado por outros jovens e pelo povo de Deus.
São Basílio Magno, bispo de Cesareia, hoje uma região da Turquia, no século iv, dedicou aos jovens uma atenção especial, devido à vida que eles levavam na sociedade imperial [1]. Muitos eram os motivos para lhes dedicar uma obra escrita e dar-lhes alguns conselhos que seriam benéficos, desde que eles os aceitassem com fé e com amor. Como bispo, manifestou o desejo de estar com os jovens, de ser o seu mais próximo, logo depois dos respetivos pais, para lhes dar um afeto particular [2].
São Basílio aconselhou aos jovens cristãos que frequentavam as escolas pagãs que recebessem uma educação geral, sobretudo de autores pagãos, e tivessem o discernimento das suas doutrinas, a fim de acolherem as coisas melhores que os professores diziam e descartarem aquelas que não convinham às suas vidas de seguidores e seguidoras de Cristo e da Igreja [3].
A vida presente passa de uma forma rápida, de modo que o bispo de Cesareia aconselhou os jovens a agarrar-se às coisas eternas. Tudo deve ajudar a alcançar esta vida. É claro que a vida presente tem valor para ser bem vivida nos diversos ambientes em que os jovens estavam inseridos, porém apontando sempre para a vida futura, a eterna [4].
O bispo de Cesareia também falou da importância dos bens presentes, que são meios para alcançar os bens da vida futura. Eles servem para amar o próximo e a Deus. No entanto, o valor dos bens desta vida está muito longe do dos bens eternos, pelo facto de serem sombra e sonho da realidade atual [5]. É à vida futura que conduzem as palavras das Sagradas Escrituras, que admoestam continuamente através dos valores da conversão. As diversas doutrinas do mundo, sendo purificadas, levam à preparação da alma para a vida com Deus [6]. O jovem cristão tirará da sabedoria pagã o melhor para uma vida conforme o Evangelho do Senhor [7].
São Basílio reforçou a ideia de que é preciso seguir os poetas, mas alertou que tudo devia ser com o objetivo do seguimento de Jesus Cristo, da religião cristã. As narrações dos poetas, quando apresentassem factos ou dizeres de seres humanos excelentes, seriam acolhidas livremente, seguidas com estímulo e imitadas. No entanto, quando passassem para representações de seres humanos perversos, deveriam ser evitadas, porque não mereciam o testemunho de vida [8]. Mas quando os poetas fizessem o elogio da virtude, do dom de Deus, deviam ser imitados pelos jovens, na perspetiva do bem a ser feito neste mundo e um dia na eternidade [9].
No mundo atual, existe a palavra do Papa Francisco a destacar a importância dos jovens, que são o agora de Deus. Que eles não sejam apenas o futuro do mundo, mas vivam o presente, enriquecendo com a sua contribuição o mundo e o tornem melhor.
O jovem participa, em conjunto com os adultos, no desenvolvimento da família, da sociedade e da Igreja [10]. O pontífice teve ainda presente que o olhar atento, para quem deseja ser guia dos jovens, consiste em encontrar a pequena chama que ainda arde e não esmoreceu. É a capacidade de encontrar caminhos onde os muros sejam derrubados, para que vejam as capacidades, as possibilidades, superando as dificuldades. É o olhar de Deus Pai que nutre as sementes de bem semeadas nos corações dos jovens. O papa afirma que o coração de cada jovem é considerado terra sagrada, portador de vida divina, para assim a pessoa se aproximar do Mistério do Altíssimo [11].
O Papa Francisco disse que os padres sinodais reforçaram a beleza de ser Igreja universal pela realização do sínodo sobre os jovens. É preciso destacar um contexto de globalização crescente, as diferenças entre as culturas, uma pluralidade de mundos juvenis, de modo que se fala de juventudes no plural [12].
É fundamental, como Igreja, estar ao lado dos jovens, para que esta seja uma Igreja mais maternal e, em vez de matar, aprenda a dar à luz, fazendo acontecer o dom da vida. Se se choram os jovens que morrem por causa da miséria e da violência, é elementar que a sociedade aprenda a ser mãe solidária para com eles [13].
O Papa Francisco afirmou que os jovens gostam da missão, porque a missão está ligada à juventude. Ainda que alguns jovens sejam frágeis, limitados, feridos, vão ser missionários à sua maneira, pela comunicação do bem, mesmo convivendo com fragilidades.
Uma missão popular é sempre uma oportunidade de os jovens viverem a alegria da vida e do anúncio de Jesus Cristo. A Pastoral Juvenil é uma pastoral de missão, pois é o próprio Espírito Santo que ilumina os jovens para a missão em Jesus Cristo na unidade com o Pai. É bonita a ação dos jovens visitarem as casas, entrarem em contato com a vida do povo, verem a família, porque assim compreendem a vida de uma maneira bastante mais ampla. Com a fé, a pertença à Igreja, a esperança e a caridade, a vocação para um sacramento é fortalecida [14].
Jesus chamou jovens para O seguirem que se tornaram seus discípulos, apóstolos. Hoje, Ele chama jovens que tenham um coração disposto a segui-Lo e proclamá-Lo aos outros. A missão é dom de Deus e é também responsabilidade humana, para que os jovens se dediquem ao serviço da evangelização na família, na comunidade e na sociedade. É preciso dar apoio aos jovens para a missão de anunciar aos outros a Palavra de Cristo, a valorização dos sacramentos da vida cristã e o engrandecimento do Reino de Deus.
[1] Basilio di Cesarea. Discorso ai giovani, a cura di Mario Naldini. Firenze, Nardini Editore, 1984.
[2] Cfr. Idem, 1,1-3, pg. 81.
[3] Cfr. Idem, 1, 6, pg. 83.
[4] Cfr. Idem, II, 3, pg. 85.
[5] Cfr. Idem II, 5, pgs, 85-87.
[6] Cfr. Idem, II, 7, pg. 87.
[7] Cfr. Idem, III, 1-2, pg. 89.
[8] Cfr. Idem, IV, 1-2, pg. 91.
[9] Cfr. Idem, V, 1-2, pgs. 95-97.
[10] Cfr. Papa Francisco. Exortação Apostólica Christus Vivit, 64. Brasília, Edições CNBB, 2019, pg. 31.
[11] Cfr. Idem, 67, pg. 32.
[12] Cfr. Idem, 68, pg. 32.
[13] Cfr. Idem, 74-75, pgs. 34-35.
[14] Cfr. Idem, 239-240, pg. 102.

Comentários
Enviar um comentário