Jesus Cristo quer seguidores lúcidos, «caso contrário, a nossa evangelização será uma "torre inacabada"».

É um erro pretender ser «discípulos» de Jesus sem parar para refletir sobre as exigências concretas de seguir os seus passos e sobre a força que devemos ter para o fazer. Jesus nunca pensou em seguidores inconscientes, mas em pessoas lúcidas e responsáveis.
 
«Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso espírito santo?», podemos ler no livro da Sabedoria (Sb 9, 17).
 
«Sem o teu consentimento, nada quis fazer, para que a tua boa ação não parecesse forçada, mas feita de livre vontade», escreveu São Paulo a Filémon. 
 
«Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo», diz Jesus Cristo, conforte relata São Lucas no seu Evangelho (Lc 14, 25-33).
 
Para ilustrar o que acabava de dizer, Jesus usa duas imagens muito concretas. Ninguém começa a «construir uma torre» sem refletir sobre como deve agir para conseguir terminá-la. Seria um fracasso começar a «construir» e não conseguir terminar a obra iniciada. E «ninguém vai para a guerra» sem antes considerar se a sua vida está salvaguardada.
 
Este Evangelho que Jesus propõe é um modo de «construir e salvar» a vida. É um projeto ambicioso, capaz de transformar a nossa existência. Por isso não é possível viver de forma evangélica sem parar para refletir sobre as decisões que devem ser tomadas a cada momento.
 
Nos dois exemplos repete-se o mesmo: os dois personagens «sentam-se» para refletir sobre as exigências, os riscos e as forças com que contam para levar a cabo a tarefa. Segundo Jesus, entre os seus seguidores sempre será necessário a meditação, o debate, a reflexão. Caso contrário, o projeto cristão pode ficar inacabado.
 
É um erro sufocar o diálogo e impedir o debate na Igreja de Jesus. Precisamos mais do que nunca de deliberar juntos sobre a conversão que nós, seus seguidores, temos de viver hoje, precisamos de «sentar-nos» para pensar com que forças havemos de construir o reino de Deus na sociedade moderna. Caso contrário, a nossa evangelização será uma «torre inacabada».
 
José Antonio Pagola, Grupos de Jesus

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