São Paulo: não uma conversão, mas uma vocação

Modificar oficialmente a denominação “Festa da Conversão de São Paulo” para “Festa da Vocação de São Paulo”. Esse é o objeto da petição dirigida em junho passado ao Prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, monsenhor Arthur Roche, e ao secretário, monsenhor Vittorio Francesco Viola, do Secretariado de Atividades Ecuménicas (SAE), fundado por Maria Vingiani na década de 1960.
 
O pedido, aprovado pela Assembleia da associação interconfessional para o ecumenismo e o diálogo a partir do diálogo judaico-cristão reunida em Florença no dia 24 de abril de 2022, foi assinado por "bispos, teólogas e teólogos, liturgistas, biblistas, estudiosos, presbíteros, e religiosas e religiosos, e por numerosos outros membros do povo de Deus”.
 
Entre os 164 signatários e signatárias há também pessoas de confissão protestante e de fé judaica.
 
O SAE explica as razões do pedido da modificação, observando que, atendendo às fontes do Novo Testamento, a experiência de Paulo não aparece, como muitas vezes é considerada, como uma conversão do judaísmo ao cristianismo, que, aliás, na primeira metade do século i, ainda não existia como uma religião definida.
 
Nas palavras de Paulo, trata-se mais de uma revelação do Senhor ressuscitado e de um chamamento – uma vocação – para ser apóstolo das gentes.
 
Além disso, a palavra «conversão» – que diz respeito a todos os crentes – aplicada ao judeu Paulo pode induzir a um auspiciar do proselitismo para com os judeus, uma prática seguida durante séculos, inclusive com métodos reprováveis, e já há tempo oficialmente rejeitada pela Igreja Católica.
 
Ao enviar o pedido ao Dicastério, a presidente do SAE, a pregadora valdense Erica Sfredda, ressalta que a proposta em questão «enquadra-se plenamente nos propósitos específicos de nossa Associação, cada vez mais convencida do facto de que o diálogo (tanto ecuménico quanto de outra natureza) é mais essencial do que nunca para superar qualquer forma de conflito».
 

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