Advento de novo? Um Advento a mais ou nova oportunidade?

Advento de novo? Um Advento a mais ou nova oportunidade? Sim, mais uma vez estamos a começar o tempo litúrgico do Advento. O risco é vivê-lo como “mera repetição”, como um “tempo parecido” com o vivido há um, dois, três anos…
 
Na realidade, cada Advento, por mais parecido que seja ao anterior, é totalmente diferente: ele é original e único, porque as esperanças que temos são novas, os projetos para o presente e o futuro são novos, a vida renova-se continuamente, o seguimento de Jesus Cristo aprofunda-se ou esmorece-se...
 
O grande grito de Deus no primeiro domingo do Advento é “Vigiai” porque “não sabeis quando virá o vosso Senhor”.
 
Ninguém vigia o passado que já passou. Vigiamos o que está por vir, o que está a vir. A vigilância olha sempre para o futuro – um futuro que depende de Deus e depende de nós. Porque uma coisa é a ação de Deus em cada um de nós neste tempo do Advento e outra coisa é o que nós fazemos para que algo novo aconteça.
 
Nós mesmos somos um “advento”,
Nós mesmos somos um “advento”, porque o nosso futuro humano depende do que esperamos. Haverá aqueles que já não esperam nada. Haverá outros que esperam algo novo, mas duvidam. E haverá aqueles que esperam o novo e dedicam sua vida a criá-lo já agora. Porque em cada momento, definimos a nossa vida; em cada momento, algo surpreendente pode acontecer na nossa vida; em cada momento, a nossa vida pode apagar-se ou pode rejuvenescer-se.
 
O Evangelho segundo São Mateus (Mt 24, 37-44) – lido no primeiro domingo do Advento – tem duas pequenas parábolas que insistem na atitude da vigilância. A primeira delas adverte que o maior inimigo da vigilância é a dispersão, revestida de rotina e apego ao costumeiro: “comer, beber, casar-se».
 
Viver vigilantes, então, é olhar mais além dos nossos pequenos interesses e das preocupações.
 
Na segunda parábola, a insistência concentra-se na importância de “estar vigilante”, porque o que está em jogo é nada menos que a segurança da “casa”, ou seja, a consistência da própria pessoa.
 
Na Bíblia, tanto em sonhos, como nos contos e nas parábolas, a casa é um símbolo da pessoa. A partir desta perspetiva, a mensagem de Jesus é um apelo para tomarmos consciência de quem somos, favorecendo a atitude que nos permite “construir-nos” – a vigilância – e estando atentos àquela outra que nos “rompe” ou arruína – a dispersão.
 
A dispersão é o estado habitual de quem se alicerça nos seus pensamentos, sentimentos, emoções ou reações, ignorando a sua verdadeira identidade.
 
A vigilância, pelo contrário, refere-se à capacidade de não se perder. A atitude própria da sentinela é situar-se estrategicamente em lugares altos e de amplos horizontes, para observar, discernir e anunciar, e defender a vida do povo.
 
De facto, onde pomos a nossa atenção, aí estará a nossa vida (ou nossa falta de vida).
 

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