Documento de trabalho para a próxima etapa do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade destaca desafios, mas oferece poucas soluções
Na quinta-feira, 27 de novembro, o Vaticano divulgou o documento de trabalho para a próxima etapa do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade, convocado pelo Papa Francisco.
O documento, disponível em português aqui: Alarga o espaço da tua tenda. Documento de trabalho para a etapa continental oferece uma visão global do que os fiéis em todos os níveis da Igreja acreditam que precisa acontecer para que ela seja um verdadeiro lugar de inclusão.
O documento é uma síntese dos relatórios das Conferências Episcopais nacionais, que compilaram os relatórios com base nas contribuições de cada diocese após uma fase inicial de consulta junto às comunidades paroquiais locais.
Para ler uma síntese analítica dos temas do documento de trabalho, clicar em Novo documento sinodal destaca desafios, mas oferece poucas soluções
Ele servirá como documento de trabalho para a próxima etapa continental do Sínodo, na qual as Conferências Episcopais dos sete continentes realizarão assembleias para refletir e discutir o conteúdo do documento. Essas assembleias, então, apresentarão um novo relatório com base nessa discussão, que será usado para redigir o documento de trabalho para a etapa final e universal em Roma.
Tendo como título “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão”, o Sínodo foi aberto pelo Papa Francisco em outubro de 2021 e, em vez da típica reunião de bispos de um mês de duração no Vaticano, este Sínodo está a desenrolar-se num processo de várias etapas, que se estenderá até 2024.
A fase diocesana inicial do processo durou de outubro de 2021 a abril de 2022 e foi concebida como um processo consultivo que ocorreu de acordo com certas diretrizes emitidas pelo Sínodo dos Bispos.
A segunda fase, continental, começou em setembro de 2022 e durará até março de 2023, quando as Conferências Episcopais continentais coordenarão e avaliarão os resultados das consultas diocesanas.
A fase final universal inicialmente concluiria o processo durante a reunião de 4 a 29 de outubro do ano que vem em Roma, mas o Papa Francisco recentemente estendeu o processo por um ano, o que significa que a fase universal final será concluída em 2024.
Examinando o documento de trabalho para a fase continental
O documento da fase continental publicado faz uma revisão geral positiva do processo sinodal até agora, afirmando que a participação em nível global “foi superior a todas as expectativas”, apesar das taxas de participação extremamente baixas, especialmente nas nações ocidentais. No total, foram recebidas contribuições de 112 das 114 Conferências Episcopais e de todas as 15 Igrejas orientais católicas, assim como de 17 dos 23 dicastérios da Cúria Romana e de vários órgãos internacionais de superiores religiosos e movimentos leigos.
De modo geral, o documento destaca problemas antigos na vida da Igreja, como a falta de participação das mulheres e a falta de inclusão e acolhimento das chamadas categorias “marginalizadas”, como a comunidade LGBTQ e as famílias em situação irregular, incluindo casais divorciados e recasados.
Também ressalta os problemas contínuos relacionados aos escândalos dos abusos clericais, as disputas litúrgicas e o problema do clericalismo, assim como a disparidade entre ricos e pobres. Muitos relatórios das Conferências Episcopais indicam que os fiéis sentem que famílias e indivíduos ricos e instruídos são mais ouvidos do que aqueles sem instrução e menos abastados.

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