O Papa Francisco surpreendeu os teólogos com uma entrevista dada à revista jesuíta America, a 22 de novembro, dizendo um “não” ao sacerdócio das mulheres. Utilizou uma argumentação inusitada, tomada de um teólogo ex-jesuíta Hans Urs von Balthazar.
Dele, o Papa toma uma distinção que lhe permitiu negar ao sacerdócio à mulher: o princípio-mariano e o princípio-petrino. Curiosa e inusitada é esta distinção do Papa Francisco: Maria seria a esposa da Igreja, enquanto Pedro é o seu condutor.
Mas vale sublinhar a seguinte lógica: sem o Espírito Santo não haveria Maria. Sem Maria não haveria Jesus. Sem Jesus não haveria Pedro, feito o principal dos Apóstolos. Sem Pedro não haveriam sucessores, chamados papas.
Em certos pontos, a argumentação papal, não evita certa contradição, como por exemplo: Maria pode gerar Jesus, o seu filho, mas não pode representá-lo na comunidade. Isso soa até ofensivo à grandeza de Maria, portadora permanente do Espírito. Pedro que chegou a trair Jesus e este chegou a chamá-lo até de “satanás” por não admitir que padecesse e morresse, pode representar Jesus. Aqui há uma inegável desproporção, culturalmente explicável.
Para ler todo este texto de Leonardo Boff, aceder a O “não” do Papa Francisco ao sacerdócio das mulheres: resquícios do patriarcado
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