Onze pistas do Papa Francisco para viver o Advento

Ao longo dos dez anos de pontificado, o Papa Francisco aprofundou várias vezes o tema do Advento, período de preparação da Igreja Católica para celebrar o Natal.

Com estas frases, retiradas de homilias, discursos e mensagens do Angelus, o papa oferece-nos indicações, pistas, sugestões, reflexões para preparar os corações a receber o nascimento de Jesus.

A inquietude e o caminho da fé (2023)
«O caminho da fé tem início quando damos espaço, com a graça de Deus, à inquietude que nos mantém acordados; quando nos deixamos interrogar, quando não nos contentamos com a tranquilidade dos nossos hábitos, mas envolvemo-nos nos desafios de cada dia; quando deixamos de nos manter num espaço neutral e decidimos habitar os espaços incómodos da vida, feitos de relações com os outros, surpresas, imprevistos, projetos a levar por diante, sonhos a realizar, medos a enfrentar, sofrimentos que escavam na carne. Nesses momentos, levantam-se do nosso coração as perguntas irreprimíveis que nos abrem à busca de Deus: Para mim, onde está a felicidade? Onde está a vida plena a que aspiro? Onde está aquele amor que não passa, não conhece ocaso, não se rompe nem mesmo diante de fragilidades, fracassos e traições? Quais são as oportunidades escondidas dentro das minhas crises e tribulações?

Sucede, porém, que o clima que respiramos diariamente oferece «tranquilizantes da alma», paliativos para a insensibilizar, para insensibilizar a nossa inquietude e apagar tais perguntas. Desde os produtos do consumismo até às seduções do prazer, desde os debates elevados a espetáculo até à idolatria do bem-estar… tudo parece dizer-nos: não penses demais, deixa correr, goza a vida! Muitas vezes procuramos sistematizar o coração no cofre da comodidade – sim, sistematizar o coração no cofre da comodidade – mas, se os Magos tivessem feito assim, nunca teriam encontrado o Senhor. Insensibilizar o coração, insensibilizar a alma para pôr termo à inquietação: este é o perigo. Com efeito, Deus habita nas nossas perguntas inquietas; com elas, «procuramo-Lo como a noite procura a aurora (...).»

Uma oração do Advento (2022)
«Vem, Senhor Jesus! Precisamos de Ti. Vem para junto de nós. Tu és a luz: desperta-nos do sono da mediocridade; desperta-nos das trevas da indiferença. Vem, Senhor Jesus! Torna vigilantes os nossos corações que agora vivem distraídos: faz-nos sentir o desejo de rezar e a necessidade de amar.»

Um compromisso concreto (2021)
“Façamos um compromisso concreto, mesmo que pequeno, que se ajuste à nossa situação de vida, e vamos cumpri-lo para nos prepararmos para este Natal. Por exemplo: posso ligar para aquela pessoa que está sozinha, visitar aquele idoso ou doente, fazer alguma coisa para servir os pobres, os necessitados. Talvez eu tenha negligenciado a oração e depois de muito tempo seja hora de me aproximar do perdão do Senhor. Vamos encontrar uma coisa específica e fazê-lo! Que a Virgem, em cujo seio Deus se fez carne, nos ajude.”

Aprender o que significa adorar a Deus (2020)
Ao principiar este ano, descubramos de novo a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De facto, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo. Adorar é colocar o Senhor no centro, para deixarmos de estar centrados em nós mesmos. É predispor as coisas na sua justa ordem, reservando o primeiro lugar para Deus. Adorar é antepor os planos de Deus ao meu tempo, aos meus direitos, aos meus espaços. É aceitar o ensinamento da Escritura: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás» (Mt 4, 10). «Teu Deus»: adorar é sentir que nos pertencemos mutuamente, eu e Deus. É tratá-Lo por «Tu» na intimidade, é depor a seus pés a nossa vida, permitindo-Lhe entrar nela. É fazer descer sobre o mundo a sua consolação. Adorar é descobrir que, para rezar, basta dizer «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28) e deixar-me invadir pela sua ternura.

Jaculatória do Advento (2019)
“No Advento, habituemo-nos a dizer: 'Vem, Senhor Jesus'. Apenas isso: 'Vem, Senhor Jesus.' Este tempo de preparação para o Natal é lindo; pensemos no presépio, pensemos no Natal e digamos com o coração: 'Vem, Senhor Jesus.'.”

Hora da Esperança (2018)
“O tempo do Advento nos dá esperança, uma esperança que não desilude. O Senhor nunca falha."

Preparar o Caminho do Senhor (2018)
“Que a Virgem Maria nos ajude a preparar dia a dia o caminho do Senhor, começando por nós mesmos, e a semear ao nosso redor, com tenacidade e paciência, sementes de paz, justiça e fraternidade."

Ficar ligado (2017)
"A pessoa atenta é aquela que, no barulho do mundo, não se deixa levar pela distração ou pela superficialidade, mas vive plena e conscientemente, com uma preocupação dirigida antes de tudo aos outros. Com esta atitude somos conscientes das lágrimas e das necessidades do próximo, e podemos compreender também as capacidades e qualidades humanas e espirituais."

Deixemo-nos surpreender (2016)
“Neste tempo do Advento somos chamados a alargar o horizonte do nosso coração, a deixar-nos surpreender pela vida que se apresenta todos os dias com as suas novidades.”

Epifania de Jesus e a Infância Missionária (2015)
«Apraz-me recordar que hoje se celebra o Dia Mundial da Infância Missionária. É a festa das crianças que vivem com alegria o dom da fé e rezam para que a luz de Jesus alcance todas as crianças do mundo. Encorajo os educadores a cultivar nos pequeninos o espírito missionário. Que não sejam crianças e adolescentes fechados, mas abertos; que vejam um grande horizonte e que o seu coração vá em frente rumo ao horizonte, a fim de que nasçam entre eles testemunhas da ternura de Deus e anunciadores do Evangelho. Dirijamo-nos agora à Virgem Maria e invoquemos a sua tutela sobre a Igreja universal, para que difunda no mundo o Evangelho de Cristo, a luz das nações, luz de todos os povos. Ela nos ajude a estar sempre a caminho; nos faça caminhar atentos, incansáveis e corajosos.»

Deus entre nós, a caminho dos novos Céus (2014)
«Esta é a mensagem de Natal: o Verbo fez-se carne. Deste modo o Natal revela-nos o amor imenso de Deus pela humanidade. Disto deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na pobreza sabemos que somos amados, visitados e acompanhados por Deus; e olhamos para o mundo e para a história como o lugar no qual caminhar juntamente com Ele e entre nós, rumo aos novos céus e à nova terra. 

Com o nascimento de Jesus nasceu uma promessa nova, nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser renovado sempre. Deus está sempre presente a suscitar homens novos, a purificar o mundo do pecado que o envelhece, do pecado que o corrompe. Mesmo que a história humana e pessoal de cada um de nós possa estar marcada pelas dificuldades e fragilidades, a fé na Encarnação diz-nos que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Esta proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que nunca acaba! Ele está connosco! Ele é Deus connosco! E esta proximidade nunca acaba.

Eis o alegre anúncio do Natal: a luz divina, que inundou os corações da Virgem Maria e de são José, e guiou os passos dos pastores e magos, brilha também hoje para nós.»

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