Pelo caminho aprendi - dois poemas latino-americanos

Pelo caminho aprendi
que cada momento passa e que a vida continua,
que o tempo nunca se cansa e o ontem sempre se extingue.
Que ser criança é um jogo e jovem, uma primavera, e que ambos se fundem quando a velhice chega até nós.

Que a paixão nos domina
e o medo paralisa-nos;
que o costume é rotina
e todo o apego escraviza.

Pelo caminho aprendi
que as pessoas às vezes mudam,
quando o poder as convida;
que, embora o dinheiro seja necessário,
nunca fecha uma ferida;
Que a dor é força e ser submisso mata-nos; que a verdade nos liberta e as mentiras nos ata;
Que a sabedoria apaixona,
que a nossa mente faz magia,
que o trabalho não desonra e que o adeus é saudade.

Pelo caminho aprendi
que a juventude não cessa quando a velhice nos alcança;
que a escola nos instrui; mas educa-se em casa;
que os sonhos são perseguidos; mas a paz é construída;
que a liberdade se exige e o orgulho destrói;
Que o perdão é uma cura que nos sara lentamente
e o ressentimento é um tormento que perturba a nossa mente.

Aprendi no meu caminhar
que os filhos não são nossos,
mas gaivotas e, quando as asas crescem, voam e partem;
que um amigo é um tesouro que devemos valorizar, e a família é o templo onde aprendemos a amar...;
que o amanhã é muito incerto,
que a humildade adorna,
que a morte é certeza
e a vida ensino;
que Deus é fonte da fé e que é amor, esperança...
 
Dhiaga Casaint, escritora da Venezuela
 
No caminho aprendi
 
No caminho aprendi
que chegar alto não é crescer,
que olhar nem sempre é ver,
nem escutar é ouvir,
nem lamentar-se é sentir,
nem acostumar-se é amar.
 
No caminho aprendi
que andar só não é solidão
que covardia não é paz,
nem ser feliz é sorrir.
E que pior que mentir,
é calar a verdade.
 
Ao longo do caminho aprendi
que a ignorância não é saber,
ignorante é esse ser
cuja arrogância mais vil
é de bruto vangloriar-se
e não querer aprender.
 
No caminho aprendi,
que um sonho de amor
pode abrir-se como uma flor,
e, como essa flor, morrer
mas, no seu breve existir,
é tudo aroma e cor.
 
No caminho aprendi,
que a humildade não é submissão.
A humildade é esse dom
que costuma confundir:
não é o mesmo ser servil
que ser um bom servidor.
 
Ao longo do caminho aprendi
que a ternura não é uma duplicidade,
nem vulgar a simplicidade
nem o solene verdade,
Eu vi ao poderoso mortal
e aos idiotas com altivez.
 
No caminho aprendi
que é má caridade
do ser humano que dá
esperando receber,
pois não há defeito pior
do que presumir a bondade.
 
Ao longo do caminho aprendi
que, em questão de conhecer,
de raciocinar e saber,
é importante, eu compreendi,
muito mais do que aquilo que eu vi
o que ainda tenho de ver...".
 
Quando as coisas forem mal
como às vezes costumam ir,
quando o seu caminho somente
lhe oferecer encostas para subir,
quando tenha pouco, mas muito para pagar,
e precisar sorrir mesmo tendo de chorar...
 
Quando a sua dor o sufocar
e já não tiver forças para sofrer,
Deve talvez descansar,
Mas nunca desistir.
 
Rafael Amor, escritor e músico da Argentina

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