Tobias Fricke, da Dom Radio, entrevistou Marlies
Hennen-Nöhre, da Frauengemeinschaft Deutschlands (Comunidade de Mulheres da
Alemanha), acerca do Dia das Mulheres Pregadoras, que se celebra na Alemanha a 17 de maio. Nesse dia, muitas mulheres pedem para tomar a palavra
durante a celebração da Eucaristia.
Você prega nas noites de domingo na catedral de Essen.
Porque participa no Dia das Mulheres Pregadoras?
Participo porque as mulheres são muito importantes para o
trabalho nas paróquias e para a transmissão da vida de fé, mas na celebração da
Eucaristia permanecem na sombra. Eu simplesmente gostaria de tornar evidente
que se as mulheres não podem pregar e não podem anunciar as boas novas, falta
uma voz muito importante, falta o ponto de vista das mulheres.
Mas não é permitido.
Sim, oficialmente ainda não é permitido.
Há algum problema ao subir no púlpito?
Nunca se sabe se estão presentes pessoas que não aceitam, que
se vão embora. Em si, eu não vejo irritação, mas grande confiança. Considero
muito importante que aquilo que é efetivamente feito, ou seja, a proclamação da
Palavra também por mulheres e não consagrados, saia da zona cinzenta e se torne
visível. Afinal, foi uma decisão tomada pela maioria: a maioria do Caminho
Sinodal se expressou em favor de não consagrados pregarem na celebração da
Eucaristia.
Você acha que isso está a ser realizado agora nas
dioceses?
Não posso falar por todas as dioceses, mas tenho a certeza
de que na nossa diocese de Essen tudo o que é possível, se as portas se
abrirem, também é realizado. Eu mesma sou uma encarregada paroquial, ou seja,
faço parte do grupo que dirige a paróquia. Essas também são possibilidades que
são examinadas na diocese de Essen, aqui as coisas são experimentadas, e quando
uma brecha se abre, depois abrem-se as portas. Será o mesmo para a pregação
também.
As dioceses são obrigadas a reagir contra essa decisão do
Caminho Sinodal? Ou podem simplesmente dizer que não querem fazer isso?
Creio que quase nada de obrigatório tenha saído do Caminho
Sinodal. Mas naturalmente decidiram por maioria e, portanto, acho que também
exista uma responsabilidade de dizer: o que decidimos, nós o executamos.
Você pregará sobre a coragem de mudar, não sobre a
inconstância, mas sobre a coragem de mudar. O que quer dizer?
É uma expressão que ao longo do tempo, ao refletir sobre
este Dia, sempre me veio à mente. Deriva certamente das leituras de domingo. Gostaria
de apresentar a frase de Jesus no Evangelho de João “Eu sou o caminho, a
verdade e a vida” como uma espécie de ajuda para dissolver o medo. Vejo o que
move e interessa as pessoas para quem prego e com quem celebro a Eucaristia.
Procuro criar contacto e convidar a ter coragem de descobrir onde podemos mudar
as coisas e onde podemos desenvolver também o que às vezes nos confunde e nos
prende, e trilhar novos caminhos. Também pedi que algumas mulheres me contassem
o que as leva a mudar, o que lhes dá coragem para mudar.

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