Os cristãos da primeira e segunda geração nunca pensaram que
com eles estava a nascer uma religião. Na verdade, não sabiam com que nome
designar aquele movimento que estava a crescer de forma insuspeitada. Ainda
viviam impactados pela memória de Jesus, que sentiam vivo entre eles.
Por isso, os grupos que se reuniam em cidades como Corinto
ou Éfeso começaram a chamar-se «igrejas» (do grego ekklesia,
«comunidade»), ou seja, comunidades que se vão formando convocadas por uma
mesma fé em Jesus. O termo aparece 115 vezes no Novo Testamento. Para
aprofundar este tema, é oportuno ler: Os 3 sentidos de cada ocorrência de
"ekklesia", no Novo Testamento
Em outros lugares, ao cristianismo chamavam-lhe «o caminho».
Um escrito redigido por volta do ano 80 e que se chama carta aos hebreus diz
que é um «caminho novo e vivo» para se enfrentar a vida. O caminho «inaugurado»
por Jesus e que há que percorrer «com os olhos fixos nele». Ler mais sobre o
tema aqui: O símbolo do caminho no Novo Testamento
Não há dúvida alguma. Para estes primeiros crentes, o
cristianismo não era propriamente uma religião, mas uma nova forma de viver. A
primeira coisa para eles não era viver dentro de uma instituição religiosa, mas
aprender juntos a viver como Jesus no meio desse vasto império. Aqui estava a
sua força. Isto era o que podiam oferecer a todos.
Neste clima, entende-se bem as palavras que o quarto
Evangelho coloca nos lábios de Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida.»
Este é o ponto de partida do cristianismo. Cristão é um homem ou mulher que em
Jesus vai descobrindo o caminho mais acertado para viver, a verdade mais segura
para se orientar, o segredo mais esperançoso da vida.
Este caminho é muito concreto. De pouco serve sentir-se
conservador ou declarar-se progressista. A escolha que temos de fazer é outra.
Ou organizamos a vida à nossa maneira ou aprendemos a viver desde Jesus. Há que
escolher.
Indiferença para com aqueles que sofrem ou compaixão sob
todas as suas formas. Apenas bem-estar para mim e para os meus ou um mundo mais
humano para todos. Intolerância e exclusão daqueles que são diferentes ou
atitude aberta e acolhedora para com todos. Esquecimento de Deus ou comunicação
confiada no Pai de todos. Fatalismo e resignação ou esperança final para toda a
criação.
José Antonio Pagola

Comentários
Enviar um comentário