O Sínodo avança lentamente, mas milhões de pessoas estão a envolver-se
nele. A mensagem é conhecida, mas a sinodalidade diz respeito a atitudes a
partir de uma das questões fundamentais: como se alcança e se realiza este
caminhar juntos para anunciar o Evangelho? O Espírito impele-nos a escutar, mas
devemos comportar-nos de um certo modo.
Na fase continental, as expectativas de participação foram
superadas: dicastérios, dioceses, igrejas católicas orientais, ordens
religiosas... todos no caminho da renovação sob a forma de um processo de
discernimento de prioridades.
Agora, espera-se que as prioridades de cada grupo sejam
valorizadas na Assembleia Geral do Sínodo a que o Papa presidirá em 2024, para
renovar a Igreja reforçando quatro pilares fundamentais: escuta (abertura e
diálogo), participação (compromisso), união comum (missão) e Eucaristia
(celebração).
Mas, para avançar, precisamos de conversão espiritual no
nosso modo de agir, se quisermos transformar-nos numa Igreja capaz de dar um
testemunho credível: inclusiva, aberta, acolhedora, a partir do olhar
autocrítico, com as nossas luzes e sombras.
A Igreja e a sua missão não são nossas, são de Deus. Somos
um sonho divino que busca a unidade na diversidade, colaborando com o Espírito
que preparou algo novo. A nossa referência é o Pentecostes, não Babel.
Precisamos de um processo de conversão observando a atitude das primeiras
comunidades.
A responsabilidade pela vida sinodal da Igreja não pode ser
delegada. O importante é assumir o quadro a partir do qual partimos cada vez
que nos reunimos numa chave sinodal.
Algumas dificuldades no processo sinodal
Relutantes em falar e partilhar. É necessário falar tudo,
comentar sobre isso, para que nos ajudemos uns aos outros a partir de nossas
diferenças. Isso já é caminhar juntos!
Medo da mudança e do que ela implica, medo de perder o
poder, medo de uma nova forma de comunidade cristã... Estes receios impedem a
conversão ao serviço, distorcendo a conceção do verdadeiro Magistério.
Há muitos cristãos desiludidos, que dizem que outra reforma
será sempre a mesma, sem perceber que a sua atitude impede o Espírito de agir,
de experimentar a mudança.
Não dar à sinodalidade a transcendência que ela tem. Pensar
que é um trabalho extra, que temos outros planos pastorais diocesanos em
curso... Não se trata, porém, de fazer ou não fazer, mas de SER Igreja de outra
forma, mais interligada, de escutar humildemente, de viver como verdadeira
comunidade cristã e evangelizar.
Grandes desafios futuros
1) O ativismo dificulta uma Igreja que escuta. Chegamos a um
ponto em que gostamos muito do fazer, do ativismo. Talvez devêssemos parar e escutar-nos
uns aos outros, todos juntos em oração de escuta do Espírito Santo. Começamos
imediatamente a discutir, a opinar, a conversar, sem valorizar a atitude
necessária para o conseguir.
2) A escuta é humilde por definição. O processo sinodal em
curso tem mostrado a escassa importância dada à dimensão da oração para
discernir a vontade de Deus. O que nos pede Deus neste momento da história? Como
cristãos, como devemos estar envolvidos neste processo? A humildade é essencial
como atitude e o amor como fundamento. Só assim poderemos trazer renovação e
esperança como canais da Graça.
3) Voltemos ao amor: o retorno às fontes como centro de tudo
– Jesus veio para servir, não para ser servido. Jesus veio para salvar, não
para condenar. A diaconia está no centro do Evangelho, no centro da missão de
Jesus: «Estou no meio de vós como quem serve» (Lucas 22, 27). E Francisco quer
assumir um modelo de exercício de autoridade na Igreja fundado na ideia cristã
do serviço. E sem uma atitude de serviço e de escuta humilde, não haverá fruto
sinodal.
A sinodalidade tem que ver com atitudes: vinho novo, apenas em odres
novos (Mateus 9, 14-17, Marcos 2, 18-22 e Lucas 5, 33-39).
Gabriel
Maria Otalora, escritor de ética e religião, Eclesalia

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