«Não somos melhores nem piores. Evangelizar não é tornar os outros iguais a nós. É testemunhar que, todos diferentes, encontramos em Jesus um ponto em comum»
Muitas vezes, temos tendência para pensar que somos mais
inteligentes ou melhores só porque viemos depois das gerações passadas (porque vivemos em países desenvolvidos; somos cristãos, ou...)
Mas a consciência histórica só nos pode levar a uma
conclusão: todos os tempos são conturbados, embora à sua maneira, e cabe a cada
geração ter fé, amor e esperança e confiar que Jesus não nos deixou sós e
continua a guiar-nos e a fazer-se presente pelo Espírito.
Na missão que nos foi confiada por Deus, muitas vezes
falhamos.
Falhamos quando nos afastamos, propositadamente ou não,
daquilo que o Espírito Santo nos sussurra ao ouvido;
Falhamos quando duvidamos da nossa capacidade de amar e de
acreditar.
E falhamos, também, quando só vemos as falhas dos outros e
tardamos em aceitar e perceber que somos todos parte de uma só comunidade. Ou
mesmo quando acreditamos que não somos dignos de ser vistos como irmãos nesta
família de Cristo.
Todos diferentes, encontramos em Jesus um ponto em comum
Sabemos que Jesus escolheu para seus discípulos alguns dos
mais improváveis (e malvistos) do seu tempo – cobradores de impostos, amigos
capazes de mentir, de trair, mulheres… Perante esta diversidade, o espanto é
que todos tenham conseguido entender-se, encontrar em Jesus um ponto em comum.
E construir a semente de uma Igreja que, desde os seus primórdios, acolheu
pessoas tão diferentes, que pensavam, e agiam, de formas tão diferentes.
Como nos diz São Paulo, «Vós não recebestes um Espírito que
vos escravize e volte a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz
de vós filhos adotivos. É por ele que clamamos: Abbá, ó Pai! Esse mesmo
Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. Ora, se
somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros
com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos, para também com Ele sermos
glorificados.» (Romanos 8, 15-27)
Quem tem irmãos sabe que, mesmo filhos dos mesmos pais, todos
são diferentes. E todos são da mesma família. Também na família da Igreja, de
que todos somos parte, isso acontece. E algo de que temos a certeza é que a fé
em comunidade, se bem vivida, é muito mais rica. E, na Igreja de hoje, todos
temos uma missão, que é importante, por pequena que seja. Dentro dos edifícios
religiosos e, sobretudo, para fora deles – na nossa família, no nosso trabalho,
no nosso prédio. Essa missão é sermos testemunhas da mensagem de Jesus (de
amor, de perdão, de compaixão…) – evangelizar por palavras, mas também por
atos.
Não podemos ter a ilusão de que evangelizar é
tornar os outros iguais a nós.
Evangelizar é mostrar que acreditamos e temos esperança.
Esperança, também, numa Igreja renovada, mais evangélica, que ultrapasse
diferenças, onde todos são bem acolhidos. E pedir que o Espírito nos ajude a
discernir o que podemos fazer. Temos de mostrar que acreditamos que é o
Espírito de Deus e o exemplo de Jesus que nos guiam – sempre que nós deixarmos.
Família Missionária Verbum
Dei - https://retirosonline.blogspot.com

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