«A Igreja do século XXI deve ser maternal, não maternalista»

Laura Díaz, missionária comboniana natural de Madrid, Espanha, com ação missionária na Etiópia, economista e teóloga, está empenhada numa Igreja «materna e não-maternalista», porque «há uma linha muito ténue» entre esses dois termos. 
É «um dos desafios, um dos retos» para que a Igreja de Jesus mostre o «rosto materno no século xxi”.

«Não devemos cair na perversidade da bondade»
É «nas periferias onde encontramos a precariedade, a incerteza, a contradição. E o primeiro impacto é muito forte. Mas o conceito de pobreza é diferente nas periferias e num mundo rico. É neste contexto que se pode perceber «o maternal», mas «com o perigo de se tornar maternalismo». Ora, o próprio Jesus «liberta-nos, não para depender dos outros, mas para escrever a nossa própria história».
 
É necessário progredir no ser maternal e não maternalista e para isso «não devemos cair na perversidade da bondade». Nas terras de missão, a Igreja «tem-se habituado a preencher espaços». O Papa Francisco diz para ir «iniciar processos, em vez de ocupar lugares».
 
Sacramentalidade é mais pessoa e menos estrutura
Por isso, é preciso «investir mais na pessoa e na sua formação integral do que nas estruturas». É necessário «iniciar processos de reconciliação, integração, cuidado e promoção do crescimento», porque os processos de crescimento «geralmente são frágeis, desenvolvem-se em silêncio e os seus frutos são percetíveis somente após longos períodos».
 
É necessário «evitar uma ênfase excessiva no social: começa-se a ser cristão no encontro com as pessoas, com os acontecimentos». E deve ser assim, porque a Igreja não é uma ONG. Portanto, «o profissionalismo e o bom trabalho do nosso serviço não podem ser separados da sacramentalidade e da sacralidade».
 
Igreja mais inclusiva
A missão é «criar um discurso alternativo», o integral de Jesus Cristo. «As pessoas da periferia veem coisas que as outras habituadas a ser ou a estar nos “centros” de decisão não veem. Todavia, uns e outros têm a missão de supervisionar e sujeitar aos discernimento as ideias novas, os novos procedimentos, os novos movimentos, com vistas a harmonizá-los com o conjunto da Igreja». Na periferia percebe-se que é necessário «esforçar-se para expressar com a vida o Evangelho que transforma».

Resumo por Julio César Rico, em Religión Digital

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