A pequenez da semente de mostarda e do fermento e a tentação da Igreja para o triunfalismo e querer atrair a atenção para o seu volume

Quando a comunidade cristã se interrogava: «S
erá que esta mensagem aceite por tão poucas pessoas tem futuro?», lembrou-se das parábolas da semente de mostarda e da levedura contadas por Jesus.

A árvore da mostarda
A parábola da semente de mostarda, contada por Jesus Cristo (Mateus 13, 31-32; Marcos 4, 30-32; Lucas 13, 18-19), é mais bem compreendida quando se tem presente a profecia do profeta Ezequiel que Jesus usa como modelo.

No início do século VI a.C., quando o povo de Israel foi deportado na Babilônia, para expressar que o seu destino mudaria e seria esplêndido, Ezequiel relata o seguinte:
«Assim fala o Senhor DEUS: Eu próprio tomarei do cimo do cedro, do alto dos seus ramos colherei uma haste, e plantá-la-ei num monte bastante alto. Plantá-la-ei na montanha elevada de Israel: deitará ramos, produzirá frutos e tornar-se-á um cedro magnífico. Nele habitarão todas as espécies de aves; à sombra dos seus ramos repousarão todas as espécies de voláteis. E todas as árvores dos campos saberão que sou Eu, o SENHOR, quem humilha a árvore elevada e eleva a árvore humilhada, quem faz secar a árvore verdejante e florescer a que está seca. Eu, o SENHOR, o disse e o cumpro» (Ezequiel 17, 22-23).
 
Jesus aceita a imagem da árvore e a ideia de que ela serve para receber todos os pássaros no céu. Mas introduz uma mudança radical: não escolhe o cedro alto e elevado como modelo, mas o modesto arbusto de mostarda, que, quando cresce, «torna-se a maior planta do horto». É um ataque cheio de humor ao triunfalismo. O importante não é que a árvore seja exuberante, mas que possa cumprir a sua função de acolher pássaros. Para a comunidade de Mateus, foi uma excelente lição e também deve ser para nossas tentações de triunfalismo eclesial.
 
A parábola do fermento
Algo semelhante ocorre com a parábola do fermento (Mateus 13, 33; Lucas 13, 20-21). É usado em pequena quantidade, mas cumpre a sua função, faz a massa crescer.
A tentação da comunidade cristã é querer ocupar muito espaço, ser massa, atrair atenção para o seu volume, para o número de membros.
Mas Jesus diz que o que importa é a função de fermentar a massa em que se insere, fora dela.
 
José Luis Sicre, El Evangelio del Domingo

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