Os padres são padres durante a vida inteira, 24 horas por dia. A sua vida é uma dedicação permanente a Deus e a ser presença de Deus para as pessoas que Ele coloca ao seu cuidado. A tarefa do padre é orientar as pessoas, de modo que saibam escutar a voz de Deus e descobrir o significado e a razão de ser da sua vida, mostrando-lhes como reconhecer a mão divina em tudo o que acontece. Neste sentido, o padre não tem férias ou descanso.
A Lei da Igreja - o Código de Direito Canónico – diz que os padres devem ter anualmente um devido e suficiente tempo de férias (cânon 283, 2). Isso inclui momentos de espairecimento, de exercício físico, passeios, etc.
Todavia, sabemos que nas paróquias, grande parte das atividades não podem ser interrompidas pelas férias dos padres: não podem deixar de celebrar-se a Eucaristia, batismos e demais sacramentos, e o cartório também tem de estar aberto, para responder às necessidades da comunidade cristã e de qualquer pessoa.
Em atenção a isso, o Código de Direito Canónico prevê a substituição temporária do pároco durante o seu período de férias.
Quanto tempo devem durar as férias?
O Direito Canónico (cânon 533, 2) dá ao sacerdote o direito de ausentar-se da paróquia pelo período de um mês, em regime de férias.
Porém, ainda que os padres possam tirar 30 dias de férias, é muito difícil que o façam de maneira completa ou ininterrupta; alguns não têm esse tempo e outros não querem fazê-lo. Então, cada um decidirá o tempo que mais lhe convém, dependendo das circunstâncias e necessidades de cada um.
Muitos padres moram em outros países e chegam a ficar anos longe das suas famílias. Alguns utilizam o tempo de férias para realizar algum tratamento médico, outros para solucionar assuntos pessoais, outros para estudo ou formação, para fazer alguma peregrinação especial, etc.
Férias de mãe
No entanto, quando um padre está de férias, ele não deixa de exercer a sua tarefa no lugar onde se encontrar; as suas férias são apenas uma ausência temporal da sua paróquia.
Ou seja, um padre pode tirar férias da sua função de pároco, mas jamais tira férias da sua vocação. Ser pároco é uma função específica, mas ser padre é uma vocação; não se pode deixar de ser sacerdote.
É nisto que as suas férias são como “férias de mãe ou de pai”: uma mãe e um pai podem ir a qualquer lugar, mas continuam a ser mãe e pai, velando sempre pela sua família, em todo o sentido da palavra.
Mais ainda: há padres que dedicam as suas férias a substituir outros padres, em espírito de caridade fraterna.
Outra coisa a ser levada em consideração é que o sacerdote, durante este período de férias, não se desinteressa da sua paróquia, pois, além de deixar tudo organizado e previsto, continua em contato com quem o substitui e com os demais agentes pastorais.
O que o sacerdote – como qualquer outra pessoa – precisa de fazer para ter autênticas férias, é apoiar-se em Jesus Cristo, que disse «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco» (Marcos 6, 31)

Comentários
Enviar um comentário