Para responder à pergunta «Que atitude devemos adotar em relação àqueles que rejeitam a tua mensagem?», Jesus conta a parábola do trigo e do joio.
«O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’. Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’. ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’». (Mateus 13, 24-30)
A tentação para qualquer pessoa, grupo, religião, é decidir por sua própria conta e risco quem é bom e quem é mau (trigo ou joio), quem deve ser acolhido e quem deve ser expulso.
Aconteceu, por exemplo, com os apóstolos João e Tiago, quando quiseram pedir a Deus um raio do céu para destruir os samaritanos que não os acolhiam (Lucas 9, 51-56).
Jesus, porém, adverte contra o perigo de os justos pagarem pelos pecadores. É preferível ter paciência e deixar a decisão para Deus, porque Ele mesmo disse de Si:
«Buscai o SENHOR, enquanto se pode encontrar;
invocai-o, enquanto está perto.
Deixe o ímpio os seus caminhos,
e o criminoso os seus projectos.
Volte-se para o SENHOR, que terá piedade dele,
para o nosso Deus, que é generoso em perdoar.
Os meus planos não são os vossos planos,
os vossos caminhos não são os meus caminhos
- oráculo do SENHOR.
Tanto quanto os céus estão acima da terra,
assim os meus caminhos são mais altos que os vossos,
e os meus planos, mais altos que os vossos planos.» (Isaías 55, 6-9
José Luis Sicre Diaz, em Evangelio de Hoy
E para responder à pergunta «Será que esta mensagem aceite por tão poucas pessoas tem futuro?», Ele conta a parábola da semente de mostarda e da levedura.
«O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. Sendo a menor de todas as sementes, depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado». (Mateus 13, 31-33)
O Reino de Deus é Ele a transformar o mundo. Por isso, o
Reino de Deus acontece como com o «fermento»: transforma a vida a partir de
dentro, de forma silenciosa e oculta.
Deus é assim: não se impõe, mas transforma; não domina, mas agrega.
E assim deve agir quem colabora no seu projeto: como «fermento» que introduz no
mundo a verdade de Deus, a sua justiça e o seu amor de forma humilde, mas com
força transformadora.
Os seguidores de Jesus não podemos apresentar-nos nesta
sociedade como «desde fora», tratando de nos impor para dominar e controlar
quem não pensa como nós. Não é essa a forma de abrir caminho para o reino de
Deus. Temos de viver «dentro» da sociedade, partilhando as incertezas, crises e
contradições do mundo de hoje, e contribuindo com a nossa vida transformada
pelo Evangelho.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesús
Para refletir
Quando algo muda dentro de ti, algo muda à tua volta.
A mudança é uma porta que só pode ser aberta por dentro.

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