Estou convencido de que há futuro para a Igreja, mas essa
perspetiva passa pela criação de “pequenas comunidades” – descreve Gigi
Maistrello, presbítero da diocese de Vicenza, Itália, em Settimana News. – No
entanto, a escolha dos bispos de muitas dioceses parece ir no sentido oposto,
juntando um número cada vez maior de paróquias em Unidades Pastorais que, ao
longo dos anos, assumem dimensões de pequenas dioceses. As perspetivas não são
muito animadoras se olharmos para a lista dos sacerdotes diocesanos, a sua
idade e, sobretudo, o facto de que o jovem clero não considera tudo isso um
problema.
Um bom presbítero me expressou com franqueza a sua posição
diante dessas orientações, depois que lhe propuseram liderar uma Unidade
Pastoral de vinte mil pessoas: «Não quero morrer!»
O caminho das "pequenas comunidades"
De minha parte, acho incompreensível que haja presbíteros
que, ao contrário, tenham total confiança nessas novas abordagens, encontrando
nelas até novos estímulos!
Gostaria de motivar melhor o pressuposto inicial: o futuro
está nas comunidades, mas (atenção!) nas “pequenas comunidades”. Considero uma
pequena comunidade uma paróquia que tenha entre 1000 e 3000 almas.
A principal razão dessa escolha deriva do facto de que o
coração das comunidades são as relações: relações de proximidade, de amor. Além
de certos números, vamos encontrar-nos no anonimato, onde, para fazer
comunidade haveria apenas... os agentes pastorais.
Cheguei a essas conclusões depois de analisar os órgãos com
os quais se organizam as atuais paróquias, integradas numa Unidade Pastoral.
Vamos partir de cima: começa-se com o Conselho Pastoral Unitário; depois, para
salvar as tradições, encontramos os Conselhos Pastorais de cada paróquia;
finalmente, há os Grupos Ministeriais, uma nova criatura gerada há cerca de
quinze anos.
Cada um desses órgãos tem a sua própria organização:
presidência, secretaria, agenda, reuniões e reuniões... Muitas vezes há
sobreposições, incompreensões, dificuldades de organização com relativas crises
de identidade.
Uma estrutura tão grande não pode sobreviver e é urgente
buscar outras perspetivas.
Os pastores, diante das críticas pela falta de busca de
novas configurações pastorais, respondem que a mudança já está em andamento e
se chama Grupo Ministerial.
A erva daninha do clericalismo
É neste ponto que gostaria de dedicar uma atenção especial.
Sou sacerdote há 44 anos e trabalhei em seis paróquias,
experimentando o crescimento lento, mas contínuo, de um fenómeno que gostaria
de sintetizar com o termo clericalismo laical.
Todos conhecemos o clericalismo: é quando o presbítero se
sente o centro do universo. Ele apela ao facto de ser presbítero para ressaltar
a sua diferença ontológica e reafirmar fortemente o seu papel. O que surpreende
é que são os presbíteros mais jovens que pensam assim.
O que aconteceu nas últimas décadas, à medida em que o
número de presbíteros diminuía? Que o laicado assumiu – finalmente! – o seu
lugar de protagonista e essa foi uma autêntica revolução pós-conciliar. Com um presbítero
moderador, os leigos puderam dar o melhor do seu carisma. Foi a temporada dos
anos 1970-1990, quando vivemos os momentos mais belos da Igreja-comunidade em
que todos se sentiam protagonistas.
O problema surgiu quando começou a faltar aquela presença
paterna, responsável, sintetizadora, de autoridade, reconhecida por todos e
equilibrante. Na ausência dos presbíteros, surgiram figuras de laicos que
mostravam a pior das características de quem pretende colocar-se ao serviço da
comunidade: o protagonismo! A vontade de sobressair, de ser reconhecido, de
aparecer, de ser visível, de se candidatar de forma mais ou menos silenciosa,
de utilizar os temas evangélicos para receber aplausos…! E esses leigos nem
sempre eram os mais capazes.
Presenças muitas vezes danosas
O que acontece num contexto em que os leigos protagonistas
ganham espaço diante da falta de uma presença equilibradora? Acontece que os
melhores leigos, aqueles que têm no coração as motivações mais límpidas e as
capacidades humanas e espirituais mais adequadas (mas quase sempre desprovidos
do impulso benéfico de um "orgulho bom", porque mostrar-se e
candidatar-se eram considerados pecados de soberba), afastam-se, deixando o
terreno livre para outras presenças, muitas vezes danosas para a comunidade.
Quantas vezes experimentamos essas presenças muito ativas
nas paróquias, astutas em dizer “sobra sempre para nós!”; que reclamam porque
não há substituição, quando são eles que obscurecem quem se propõe a uma troca;
que sempre se dizem "cansados", mas se sentem ofendidos quando alguém
propõe a sua “substituição”; que expressam julgamentos pesados sobre outras
realidades paroquiais, não diretamente, mas através dos seus “acólitos”; que
pretendem fazer parte de todos os conselhos paroquiais… Quantas vezes um pobre
pároco foi obrigado a passar noites em claro precisamente por causa desses
leigos protagonistas!
Esse raciocínio deve ser também ampliado a outras realidades
presentes no território: do desporto ao associativismo, da política ao
voluntariado.
É preciso purificar as motivações de todos aqueles que
exercem uma função dentro das comunidades.
Voltando às paróquias, devemos reconhecer a necessidade de
uma figura que assuma a tarefa da síntese: um presbítero (ou mesmo uma freira)
que atue como moderador. Leigos verdadeiramente corresponsáveis que trabalhem
ao lado do presbítero, capazes de valorizar todos os carismas presentes na
comunidade.

Comentários
Enviar um comentário