Partir apressadamente ou o risco de se instalar

«Senhor, como é bom estarmos aqui!» – Dizem os apóstolos a Jesus Cristo no Monte Tabor, onde acabam de testemunhar a sua transfiguração 
(Mateus 17, 1-9).
 
«Levantai-vos e não temais» – responde Jesus, e começa com eles a descer o monte.
 
O risco de se instalar
Mais tarde ou mais cedo, todos corremos o risco de nos instalarmos na vida, procurando o refúgio cómodo que nos permita viver tranquilos, sem sobressaltos ou preocupações excessivas, renunciando a qualquer outra aspiração.
 
Conseguido um certo sucesso profissional, encaminhada a família e assegurado, de alguma forma, o futuro, é fácil ficar preso por um conformismo cómodo que nos permita continuar a caminhar na vida da forma mais confortável.

A eterna tentação de Pedro e os demais apóstolos – «montar tendas no topo da montanha» – pode ser a nossa de procurar na religião o nosso bem-estar interior, evitando a nossa responsabilidade individual e coletiva na convivência mais humana.
 
Partir apressadamente ao encontro do outro
Mas, com frequência, é então quando a pessoa descobre mais claramente que esta felicidade não combina com o bem-estar. Falta nessa vida algo que nos deixa vazios e insatisfeitos. Algo que não pode ser comprado com dinheiro ou assegurar com uma vida confortável. Falta simplesmente a alegria própria de quem sabe vibrar com os problemas e necessidades dos outros, sentir solidariedade com os necessitados e viver, de alguma forma, mais cerca dos maltratados pela sociedade.

E, no entanto, a mensagem de Jesus é clara. Uma experiência religiosa não é verdadeiramente cristã se nos isola dos nossos irmãos, nos instala confortavelmente na vida e nos distancia do serviço aos mais necessitados.
 
Se ouvirmos Jesus, se estivermos atentos ao que fez Maria, sempre atenta ao seu próximo, sentir-nos-emos convidados a deixar o nosso conformismo, a romper com um estilo de vida egoísta em que estamos talvez confortavelmente instalados e comecemos a viver mais atentos à interpelação que nos chega dos mais indefesos da nossa sociedade.
 
José Antonio Pagola

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