Convido-vos a ler esta reflexão/testemunho da nossa companheira Gloria Aleluia: atrevimento ou heresia?

É que, perante esta pergunta: o que é que tem a ver com a minha vida Aquele Jesus que fazia milagres? Não consigo encontrar senão esta resposta (atrevida? herege?):
– Passa-me, ao lado. Literalmente!
 
Aquilo de pôr a andar paralíticos – eu, que até sou fisioterapeuta, nunca consegui mais que reensinar o equilíbrio a gente a quem um A.V.C. desequilibrou! NADINHA MAIS que isso…
E quanto a fazer secar hemorragias antigas e imparáveis? E a levantar lázaros do túmulo? E a fazer reverdecer e devolver aos pais meninos e meninas? E a dar vista a cegos? E a curar endemoninhados?
– Menos ainda!
 
Verdade, verdadinha, quer seja atrevimento, quer seja heresia, o Jesus dos Milagres tem muito pouco a ver comigo. Acho até que o perdi lá atrás, não sei em que caminhos… E isso não me assusta, não me faz sentir culpada nem tão pouco me parece que valha a pena o esforço de tentar recuperá-lo, muito menos tentar imitá-lo…
 
Até me apetece dizer que acredito em Jesus, apesar dos milagres… e não sou a primeira nem serei a última a dizer isso…
 
MAS…
Aquele Jesus que ouviu os queixumes e choros de uns e outros e não fingiu que era surdo nem passou de largo, assobiando…  parou, se aproximou para os ouvir melhor e, inclinando-se, olhou cheio de ternura e perguntou quais eram as aflições que aqueles pobres levavam dentro…
 
Aquele Jesus que estendeu a mão, tocou, levantou e trouxe do fundo os que habitavam os porões da humanidade e o fundo sei lá de que poços…
 
Aquele Jesus que re-partiu o pão e mostrou, claramente, para que não tivéssemos dúvidas, como é que se fazia isso…
 
Aquele Jesus que sofreu tentações… que às vezes foi duro com os que amava… e se sentou à mesa e comeu com gente de toda a espécie… e nasceu em Nazaré em dia e hora como eu nasci num outro qualquer lugar assinalado no mapa, quase dois mil anos depois…
 
Ai, ESSE, sim!
 
ESSE JESUS é uma enorme pedra dentro do meu sapato. Uma dAQUELAS que INCOMODAM MESMO! Não dá para esquecer e tem TUDO para me desacomodar...
 
É que tudo isso está tão ao meu alcance… Nada de mais, nada de extraordinário… a não ser pôr em alerta e prontidão o melhor de mim…
 
Talvez esteja enganada, mas quando Jesus disse Segue-me e Façam ISTO em minha Memória era dISTO, deste modo de sermos Humanos, que Ele estava a falar…
 
Não falava de religião, nem de procissões nem de missas. Falava de cinco Sentidos postos ao Serviço do Amor e do Cuidado do outro... Falava de entranhas que se revolvem com-passivas...
 
Serei atrevida? Ou herege?…"
 
Glória Marques, membro da Associação Fraternitas Movimento
Ilustração: Caio Beltrão, Designer gráfico, Curitiba, Brasil

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