O fundamento da Igreja consiste em viver a adesão a Cristo em
comunidade, atualizando a experiência de quem encontrou, na proximidade e fraternidade
da Família de Deus, o amor e o perdão de Deus. Por isso, talvez, o texto mais
fundamental do ser Igreja sejam as palavras de Jesus que lemos no Evangelho de
São Mateus (Mt 18, 20): «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali
estou eu no meio deles»
A primeira tarefa da Igreja é aprender a «reunir-se em nome
de Jesus». Alimentar a sua memória, viver na sua presença, atualizar a sua fé
em Deus, abrir hoje novos caminhos ao seu Espírito. Quando isto falta, tudo
corre o risco de ficar desvirtuado pela nossa mediocridade.
A Igreja vista de fora
Alguém que vive distante da religião ou se dececionou com a atuação
dos cristãos, facilmente olhará para a Igreja apenas como uma grande
organização. Uma espécie de «multinacional» ocupada em defender e levar adiante
os seus próprios interesses.
Estas pessoas em geral só conhecem a Igreja de fora. Falam
do Vaticano, criticam as intervenções da hierarquia, irritam-se com certas
ações do papa. A Igreja é para eles uma instituição anacrónica da qual vivem
distantes.
Não é esta a experiência daqueles que se sentem membros de
uma comunidade de crentes. Para estes, o rosto concreto da Igreja é quase
sempre a própria paróquia. Esse grupo de pessoas amigas que se reúnem para
celebrar a Eucaristia. Esse lugar de encontro onde celebram a fé e rezam a Deus
todos juntos. Essa comunidade onde se batiza os filhos ou se despede dos entes
queridos até o encontro final na outra vida.
A Igreja vista de dentro
Para quem vive na Igreja procurando nela a comunidade de
Jesus, a Igreja é quase sempre fonte de alegria e motivo de sofrimento. Por um
lado, a Igreja é estímulo e alegria; podemos experimentar nela a recordação de
Jesus, escutar a sua mensagem, seguir o seu espírito, alimentar a nossa fé no
Deus vivo. Por outro lado, a Igreja faz sofrer, porque observamos nela
incoerências e rotina; com frequência, é demasiado grande a distância entre o
que se predica e o que se vive; falta vitalidade evangélica; em muitas coisas
foi-se perdendo o estilo de Jesus.
Esta é a maior tragédia da Igreja
Jesus já não é amado nem venerado como nas primeiras
comunidades. Não se conhece nem se compreende a Sua originalidade. Muitos não
chegaram sequer a suspeitar da experiência salvadora que viveram os primeiros
que se encontraram com ele. Fizemos uma Igreja onde não poucos cristãos
imaginam que, pelo facto de aceitar umas doutrinas e de cumprir umas práticas
religiosas, estão a seguir Cristo como os primeiros discípulos.

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