O vestuário de que fala a parábola de Jesus, abaixo, não se mede em centímetros, nem se caracteriza pela elegância. É uma maneira de nos comportarmos perante Deus e perante o próximo.
Usando uma metáfora de São Paulo, é revestir-se de Nosso Senhor Jesus Cristo (Carta aos Romanos 13, 14). É um modo de viver e de atuar que recorda aos outros, na medida do possível, como Jesus Cristo viveu e atuou.
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 1-14):
Jesus contou a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir.
Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’.
Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos.
O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.
Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.
O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.
Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’.
Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».
Palavra da salvação.
Interpretação da parábola
Mateus reinterpretou a parábola de Jesus - ver o paralelo em São Lucas: Lc 14,15-24.
O protagonista não é um homem qualquer, mas um rei (Deus), que celebra o casamento do seu filho (Jesus). E não envia apenas um servo, mas muitos (uma referência aos antigos profetas e aos missionários cristãos). Os convidados, em vez de se desculparem de boa vontade, como em Lucas, simplesmente não querem ir.
Mateus introduz então um novo ato, onde o convite do rei encontra uma oposição muito maior (alguns servos são mesmo mortos) e a reação do monarca é terrível, pois envia o seu exército para destruir os assassinos e incendiar a cidade (destruição de Jerusalém pelos romanos no ano 70).
O ato seguinte representa também uma novidade em relação a Lucas: não são convidados pobres, aleijados, cegos e coxos, mas toda a gente, bons e maus. A abordagem socioeconómica de Lucas (os excluídos sociais entram no banquete) é substituída pela abordagem moral de Mateus (todos os tipos de pessoas).
E Mateus acrescenta ainda um novo episódio: um convidado aparece sem a veste nupcial e é expulso.
Com estas alterações, a parábola explica porque é que a comunidade cristã é constituída por pessoas tão imprevisíveis e, ao mesmo tempo, contém uma chamada de atenção para todas elas. Qualquer pessoa, boa ou má, pode entrar no Reino de Deus. Mas, se aceitar o convite, deve apresentar-se decentemente vestido.
O vestuário de que fala a parábola
Para entrar numa mesquita, é preciso tirar os sapatos.
Para entrar numa sinagoga, é preciso cobrir a cabeça.
Para entrar em qualquer igreja, aconselha-se ou exige-se um vestuário digno.
Mas o vestuário de que fala a parábola não se mede em centímetros, nem se caracteriza pela elegância. É uma maneira de nos comportarmos perante Deus e perante o próximo.
Usando uma metáfora de São Paulo, é revestir-se de Nosso Senhor Jesus Cristo (Carta aos Romanos 13, 14). É um modo de viver e de atuar que recorda aos outros, na medida do possível, como Jesus Cristo viveu e atuou.
José Luis Sicre Diaz
Jesuíta, formado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em Evangelio del Domingo

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