Todos os estudos o dizem: a religião está em crise nas
sociedades desenvolvidas do Ocidente. São cada vez menos os que se interessam
pelas crenças religiosas. Os jovens abandonam a liturgia católica. A sociedade
desliza para uma indiferença crescente.
Há, no entanto, algo que nós crentes nunca devemos esquecer.
Deus não está em crise. A crise religiosa não impede que Deus continue a
oferecer-se a cada pessoa no misterioso fundo da sua consciência.
E o ser humano mantém intactas as suas possibilidades de abrir-se
ao Mistério último da vida, que o interpela do fundo da sua consciência.
A parábola dos «convidados no casamento» (Ver Mateus 22,1-14 e Lucas 14, 15-24) recorda-o de forma expressiva. Deus não exclui ninguém.
O seu único desejo é que a história humana termine com uma festa alegre. O seu
único desejo é que o espaçoso salão do banquete esteja cheio de convidados.
Tudo está preparado. Ninguém pode impedir Deus que faça chegar a todos o seu
convite.
É certo que o convite religioso encontra rejeição em muitos,
mas o convite de Deus não se detém. Todos o podem ouvir, «bons e maus», os que
vivem «na cidade» e os que andam perdidos «nas encruzilhadas». Todas as pessoas
que escutam o chamamento do bem, do amor e da justiça estão a responder ao
convite de Deus.
Penso em tantas pessoas que ignoram quase tudo sobre Deus.
Só conhecem uma caricatura do religioso. Nunca poderão suspeitar «da alegria de
acreditar». Tenho a certeza de que Deus está vivo e atuante no mais íntimo de
seu ser. Estou convencido de que muitos deles aceitam o seu convite por
caminhos que me escapam.
José Antonio Pagola, Grupos de Jesus

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