Sete conversões necessárias para que a Igreja seja de todos, todos, todos

O Papa Francisco repetiu-o com ênfase nas Jornadas Mundiais da Juventude Lisboa 2023:

«Por favor, não transformem a Igreja numa alfândega: aqui entram os justos, os que estão em ordem, os que estão bem casados… todos os outros lá fora. Não. A Igreja não é isto. Justos e pecadores, bons e maus, todos, todos, todos.» (Jerónimos, 2 de agosto de 2023)
 
«Na Igreja, ninguém é de sobra. Nenhum está a mais. Há espaço para todos. Assim como somos. Todos. Jesus di-lo claramente...Todos, todos, todos! Na Igreja, há lugar para todos.» (Parque Eduardo VII, 3 de agosto de 2023)
 
«A Igreja não tem portas, para que todos possam entrar. E aqui podemos insistir também no facto que todos podem entrar, porque esta é a casa da Mãe, e uma mãe tem sempre o coração aberto para todos os seus filhos, todos, todos, todos, sem excluir ninguém.» (Fátima, 5 de agosto de 2023)
 
E insistiu na abertura do Sínodo, a 4 de outubro de 2023: «Uma Igreja que tem Deus no centro e, consequentemente, não se divide internamente e nunca é dura externamente.» No fundo, «uma igreja aberta a todos, todos, todos».
 
Que desafios de conversão decorrem deste grito do pastor universal?
 
Conversão ao olhar misericordioso: Jesus, não raro, começava por oferecer misericórdia a todos, como Alguém que não vinha para condenar, mas salvar!
 
Conversão ao olhar positivo: ver o positivo. Por exemplo, em vez de olhar para alguém a quem falta o Crisma, não poderei ver alguém que já celebrou o Batismo e Eucaristia?
 
Conversão ao acolhimento: as pessoas que nos procuram não são adversários ou inimigos, mas irmãos na Fé. Saudar, oferecer uma cadeira, fazer que as pessoas se sintam bem a falar connosco pode ser um caminho preparatório do anúncio!
 
Conversão à inclusão: em vez de afastar e excluir, com o Código de Direito Canónico na mão, ver no outro a famosa “ovelha perdida”, a quem o Pastor cuida, ajuda, inclui na comunhão ou dispõe para essa inclusão.
 
Conversão à catolicidade da Igreja: o grito do Papa Francisco alerta para um problema eclesiológico sério. Sem uma abertura a todos, a Igreja não pode viver a catolicidade, pois o “dom do alto” é para todos! E ninguém está excluído!
 
Conversão à pastoral de acompanhamento: não desanimar ninguém, mas estimular, usando o “reforço positivo” (realçando os passos conseguidos), em ordem a caminharmos juntos na Fé e Fé personalizada! Superar a massificação.
 
Conversão à iniciativa missionária: não basta a conservação do que há, a administração... é preciso iniciativa missionária, ir ter com os que estão distantes.
 
José Cardoso Almeida,
presbítero arcipreste do Sátão, diocese de Viseu

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