«Por favor, não transformem a Igreja numa alfândega:
aqui entram os justos, os que estão em ordem, os que estão bem casados… todos
os outros lá fora. Não. A Igreja não é isto. Justos e pecadores, bons e maus,
todos, todos, todos.» (Jerónimos, 2 de agosto de 2023)
«Na Igreja, ninguém é de sobra. Nenhum está a mais. Há
espaço para todos. Assim como somos. Todos. Jesus di-lo claramente...Todos,
todos, todos! Na Igreja, há lugar para todos.» (Parque Eduardo VII, 3 de agosto
de 2023)
«A Igreja não tem portas, para que todos possam entrar. E
aqui podemos insistir também no facto que todos podem entrar, porque esta é a
casa da Mãe, e uma mãe tem sempre o coração aberto para todos os seus filhos,
todos, todos, todos, sem excluir ninguém.» (Fátima, 5 de agosto de 2023)
E insistiu na abertura do Sínodo, a 4 de outubro de 2023: «Uma
Igreja que tem Deus no centro e, consequentemente, não se divide internamente e
nunca é dura externamente.» No fundo, «uma igreja aberta a todos, todos, todos».
Que desafios de conversão decorrem deste grito do
pastor universal?
Conversão ao olhar misericordioso: Jesus, não raro,
começava por oferecer misericórdia a todos, como Alguém que não vinha para
condenar, mas salvar!
Conversão ao olhar positivo: ver o positivo. Por
exemplo, em vez de olhar para alguém a quem falta o Crisma, não poderei ver
alguém que já celebrou o Batismo e Eucaristia?
Conversão ao acolhimento: as pessoas que nos procuram
não são adversários ou inimigos, mas irmãos na Fé. Saudar, oferecer uma
cadeira, fazer que as pessoas se sintam bem a falar connosco pode ser um
caminho preparatório do anúncio!
Conversão à inclusão: em vez de afastar e excluir,
com o Código de Direito Canónico na mão, ver no outro a famosa “ovelha
perdida”, a quem o Pastor cuida, ajuda, inclui na comunhão ou dispõe para essa
inclusão.
Conversão à catolicidade da Igreja: o grito do Papa
Francisco alerta para um problema eclesiológico sério. Sem uma abertura a
todos, a Igreja não pode viver a catolicidade, pois o “dom do alto” é para
todos! E ninguém está excluído!
Conversão à pastoral de acompanhamento: não desanimar
ninguém, mas estimular, usando o “reforço positivo” (realçando os passos
conseguidos), em ordem a caminharmos juntos na Fé e Fé personalizada! Superar a
massificação.
Conversão à iniciativa missionária: não basta a
conservação do que há, a administração... é preciso iniciativa missionária, ir
ter com os que estão distantes.
José Cardoso Almeida,
presbítero arcipreste do Sátão, diocese
de Viseu
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