No 48.º Nacional fizemos memória dos consócios falecidos em 2023: Maria Zélia da Silva Martins Afonso

Dia 3 de agosto de 2023, partiu para a vida celestial, assim creio, mas a dor da sua ausência acompanha-me dia e noite como se houvesse falecido hoje.

Sem ela a meu lado, depois de 46 anos de vida conjugal, espiritualmente abençoada em Fátima, a razão de ser da minha vida ativa afigura-se-me terminada. Sinto-me de braços caídos, enquanto aguardo idêntico chamamento do Pai Misericordioso para o Lar Paterno Comum, onde espero na companhia dos Anjos e Santos voltar gloriosamente a reencontrar-nos.

Por outro lado e em compensação, a sua ausência aviva-me momentos preciosos de alegria natural e de satisfação espiritual, vividas em comum, em atividades sociais e apostólicas. Conjuntamente fomo-las interpretando como outros tantos sinais de o nosso amor ter sido abençoado por Deus, dando ao desbarato todos os rumores de sinal contrário, vindos de dentro e de fora da organização eclesiástica. Disso demos continuamente graças ao Senhor como eu continuo a fazer. Muito Obrigado, Senhor.

Não fomos exceção nem modelos. Seguimos os muitos exemplos demonstrados pelos casais da Fraternitas que habitualmente acorriam aos encontros semestrais e bem assim de outros casais não filiados, constantes da roda dos nossos amigos. A experiência de vida do casal comum assumida foi-nos demostrando que a sua união favorece naturalmente o desempenho social de ambos, constituindo uma mais valia para os dois e consequentemente para a sociedade em que se inserem.

Como sintética e sabiamente disse um associado da UASP - União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses no verão do ano 2020, em Viana do Castelo, no final duma pequena intervenção minha seguida dum poema da Zélia: um homem grande só o é com o apoio duma grande mulher e vice-versa…

Exemplificou com os pobres exemplos que acabara de presenciar, mas poderia servir-se da história onde tal confirmação está sobejamente demonstrada com miríades de exemplos. Foi assim que São Bento e sua irmã, Santo Agostinho e sua Mãe Mónica, São Francisco de Assis e Clara de Assis, Madame Curi e seu marido… se completaram nas missões que foram chamados a desempenhar.

A Zélia não me deixou só. Por sua iniciativa chamamos a nós a Tita. Faz agora 31 anos, tinha ela 3. Devido à nossa avançada idade nos não permitiram filiá-la, mas praticamente o resultado foi o mesmo. A Agostinha foi sempre para nós nossa filha e nós para ela seus pais. Agora cuida com eficiência da casa sob a minha ligeira supervisão. Deus escreveu direito com linhas tortas. Obrigado, Senhor.    

Fechamos o texto com este poema que a Tita foi buscar ao espólio da mãe, o 3.º que ela deixou escrito, dedicado às mães.

Mãe
Dói-me o gesto de te olhar.
Quando penso em te perder
És aquela silhueta de marfim
A quem a recordação dá movimento e vulto
No espaço sem mais nada.
Em ti, tudo é belo e natural.
Vejo o teu rosto lindo
Na moldura preta do teu lenço preto
Vejo o fundo magoado
Que deu expressão
Ao fundo dos teus olhos
Que se fecharam de cansaço,
Que sorriram de amor,
Que me envolveram mil vezes,
Na subtil maneira de sorrir.
Não te esquecerei jamais.
Saudosa e amorosamente, 
Hei de lembrar-te sempre,
Minha Mãe.

Alípio e Tita

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