15 razões por que amamos o Papa Francisco

Agora que os seus inimigos hipócritas e fariseus do momento parecem surgir dentre as pedras; e alguns, da sua Igreja, querem manchar o seu pontificado a partir das suas trincheiras ultracatólicas.
 
Agora que alguns colocam a letra acima do espírito e, sem olhar a trave que está no próprio olho, pretendem aniquilar os frágeis, diferentes ou pecadores, em vez de olhá-los com misericórdia.
 
Agora que alguns que se dizem cristãos rejeitam o Jesus que comia com publicanos e prostitutas e só pensam em julgar e destruir.
 
Agora, para proteger os poderosos, o império do mercado e a sociedade do bem-estar, rejeitam aqueles que, para além das ideologias e dos partidos, lutam pela solidariedade e pela justiça.
 
Agora que são muitos os que consentem e até elogiam a situação de um mundo dividido em dois, entre os que podem comer ou nadar em abundância e os que passam fome, os que vendem armas e os que são aniquilados, os ricos e os pobres, crentes e incrédulos ou ateus, deixe-me dizer-lhe, Papa Francisco, por que o amamos.
 
Nós O amamos, Papa Francisco, porque...
É um ser humano. Parece óbvio, mas não é tão óbvio. Você deixou o papa intocável bem longe. Já não é aquele da tiara, da sede gestatória e dos "nãos", abençoadamente rejeitados pelos seus antecessores. Já não é aquele enclausurado no terceiro andar, por vezes inacessível, que falava sem ouvir, andava sem pisar na rua, pregava com tal confiança que parecia fazê-lo quase sempre ex cathedra e parecia mais o pontífice do que o pai.
 
Prega para o povo. Mudou a linguagem das suas cartas e sermões com uma terminologia acessível aos homens e mulheres do nosso tempo, para ser compreendido. Obrigado, porque não só entende tudo, mas até cria uma linguagem, neologismos, o seu próprio género literário para despertar as pessoas do sonho digital.
 
Os seus melhores amigos são os pobres. A eles dedicou parágrafos e ações mais ousados, mais amorosos, mais corajosos, correndo o risco de ser descrito como "marxista", "populista", "peronista" e outras fantochadas. Por se arriscar pelos explorados, pelos imigrantes, pelos marginalizados, pelos sem-teto, pelos últimos desta sociedade injusta, tendo como código de comportamento o melhor e mais arriscado de todos, as bem-aventuranças de Jesus. E também para as mulheres, tomar algumas medidas para fazê-las ascender a alguns cargos na Igreja.
 
Por cuidar do planeta, através das encíclicas e documentos pastorais, quando as evidências das alterações climáticas já são mais do que evidentes e os financiadores e oligopolistas continuam a apostar no benefício material exclusivo, na acumulação de "celeiros" de alguns, enquanto o planeta se deteriora. Porque o nosso mundo também é um sacramento.
 
Por nos ensinar a rir e a sorrir, mostrando-nos um caminho de alegria de viver; porque pela fé sabemos que esta vida tem sentido diante de todos os medos e ansiedades dos frequentes profetas de calamidades.
 
Por condenar a violência e as guerras, sem truques geopolíticos ou diplomáticos, criticando todas as formas injustas de uso e gasto de armas, de onde quer que venham e mesmo que por causa desta denúncia, alguns o ataquem.
 
Por fazer um esforço para limpar a Igreja dos flagelos, sejam eles provenientes da economia ou da moralidade sexual, como demonstrou claramente na forma drástica de erradicar a pedofilia ou os escândalos financeiros do Vaticano.
 
Por confrontar a Cúria vaticana e o poder clerical, e lutar para erradicar a sua corrupção, denunciando-a em público, sem medo dos seus lobbies e influências de poder, sem excluir o orgulhoso despotismo clerical, sendo estas medidas as que possivelmente levantaram o maiores rebeliões cardeais e críticas internas.
 
Pela sinodalidade e pela descentralização da Igreja, a melhor forma de enfrentar o centralismo e envolver a periferia, um caminho íngreme e difícil empreendido, no qual ainda há um longo caminho a percorrer, pois sem um primeiro passo não se pode fazer jornada.
 
Pela tolerância para com a pesquisa teológica, com a pluralidade de pensamento, com o ensino, a imprensa e a expressão na Igreja, depois de alguns longos anos de "amordaçamento" e involução, mesmo quando a crítica é contra você mesmo.
 
Pela abertura aos outros, membros de outras religiões, judeus, islâmicos, irmãos separados, agnósticos e ateus, sem complexos de superioridade, conscientes de que ninguém tem uma verdade absoluta e todos podemos aprender uns com os outros. Principalmente pela proximidade com os jovens, aceitando-os como são, oferecendo-os, nunca impondo-lhes. Caridade acima da ortodoxia.
 
Pela sua bênção aos casais formados por pessoas do mesmo sexo, porque, sem resolver teologicamente a sacramentalidade das suas uniões, diz a eles que Deus os ama, que você os ama, que não os julga ("e você não será julgado"), e que ninguém tem o direito de cancelá-los na vida por serem como são ou se sentem. Porque a missão da Igreja é a do Bom Pastor e do Bom Samaritano, não a de espancar ou excluir ovelhas com cajado limpo. Algo semelhante deve ser dito sobre a comunhão dos divorciados.
 
Por não se identificar com a infalibilidade. Pois, sem negar essa prerrogativa papal, você não a exerceu, pelo que sei, até agora, de forma explícita e, sobretudo, não a pratica diariamente com a ambiguidade de considerar que tudo o que diz é infalível. Além do mais, você aceitou em diversas declarações algo incomum num papa, que às vezes você está errado.
 
Por ser jesuíta, não jesuítico. Por não abrir mão do carisma de Inácio, dos Exercícios Espirituais e do grande património da Companhia, que demonstra através da sua excelente formação, espiritualidade e prática de discernimento. Mas sem o exclusivo "jesuitismo", sendo Papa de todos, aberto a todos os carismas, com predileção pela simplicidade e amor pelas criaturas do santo do seu nome, o de Assis. Com uma única "intransigência", contra o sectarismo e a imobilidade na Igreja.
 
Mas sobretudo pelo gosto ao Evangelho. Quando me perguntam se você é um papa progressista ou conservador, opto sempre por uma resposta: nem um nem outro. Você é um papa do Evangelho. Tenta, o melhor que pode e permitem, aproximar a Igreja de Jesus. Essa é a coisa mais arriscada que você pode fazer, tanto como para provocar ao mesmo tempo raiva e amor ou seguimento…

Pedro Miguel Lamet, padre jesuíta espanhol, em Religión Digital

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