«Diálogo da caridade, diálogo da verdade, diálogo da vida: três maneiras inseparáveis de proceder no caminho ecuménico» (Papa Francisco)
No dia seguinte ao encerramento da Semana de Oração pela
Unidade dos Cristãos 2024 no Hemisfério Norte, o Papa Francisco recebeu no Vaticano
os membros da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a
Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais. Este encontro reafirmou a
importância de prosseguir no caminho rumo à plena unidade através de três
diálogos: o da caridade, o da verdade e o da vida.
«Graça e paz vos sejam dadas em abundância.» Com
estas palavras da Primeira Carta de São Pedro, O Papa Francisco "agradeceu-lhes
pela presença e pelo compromisso de caminhar juntos nos caminhos da unidade,
que também são caminhos de paz".
«Apoiados pelos santos e mártires que nos acompanham unidos
do Céu, rezamos e trabalhamos incansavelmente pela comunhão e para combater a
falta de paz em muitas partes da Terra, incluindo várias regiões de onde vocês
vêm», disse Francisco.
A presença dos jovens alimenta a esperança
«Hoje é para mim uma alegria dupla recebê-los, pois neste 20.° aniversário da sua Comissão, vocês quiseram ser acompanhados por uma delegação de jovens sacerdotes e monges das Igrejas Ortodoxas Orientais. Assim, a presença dos jovens alimenta a esperança e a oração orienta o caminho!»
A seguir, Francisco recordou as visitas, ao Vaticano, no ano
passado, de Sua Santidade Tawadros, Sua Santidade Baselios Marthoma Mathews III
e Sua Santidade Aphrem. «Essas visitas são preciosas, pois permitem que o
'diálogo da caridade' ande de mãos dadas com o 'diálogo da verdade' que esta
Comissão conduz. Desde os primeiros tempos da Igreja, essas visitas, bem como a
troca de cartas, delegações e presentes, têm sido sinais e meios de comunhão;
essa Comissão observou isso no documento intitulado O exercício da comunhão
na vida da Igreja primitiva e suas repercussões em nossa busca de comunhão hoje»"
(versão em inglês aqui: The exercise of communion in the life of the early churchand its implications for our search for communion today).
«Hoje é para mim uma alegria dupla recebê-los, pois neste 20.° aniversário da sua Comissão, vocês quiseram ser acompanhados por uma delegação de jovens sacerdotes e monges das Igrejas Ortodoxas Orientais. Assim, a presença dos jovens alimenta a esperança e a oração orienta o caminho!»
Segundo Francisco, «esses gestos, arraigados no reconhecimento do único Batismo, não são meros atos de cortesia ou diplomacia, mas têm um significado eclesial e podem ser considerados verdadeiros lugares teológicos. Como afirmou São João Paulo II na Encíclica Ut unum sint: «O reconhecimento da fraternidade [...] vai muito além de um simples ato de cortesia ecuménica e constitui uma afirmação básica de eclesiologia»".
«Nesse sentido, a recente iniciativa de organizar visitas
anuais e recíprocas de estudo para jovens sacerdotes e monges merece ser
continuada», disse ainda Francisco, recordando que «quatro delegações de jovens
sacerdotes e monges ortodoxos orientais já vieram a Roma para conhecer melhor a
Igreja Católica, a convite do Dicastério para a Promoção da Unidade dos
Cristãos, e uma delegação de jovens sacerdotes católicos foi a Etchmiadzin, no
ano passado, a convite da Igreja Apostólica Arménia». «Envolver os jovens na
aproximação das nossas Igrejas é um sinal do Espírito, que rejuvenesce a Igreja
na harmonia, inspirando caminhos de comunhão, doando sabedoria às novas
gerações e profecia aos idosos. Que esse "diálogo da vida" continue
sob o sinal do Espírito! E não nos esqueçamos de que a harmonia é criada pelo
Espírito Santo», sublinhou. «Diálogo da caridade, diálogo da verdade, diálogo
da vida: três maneiras inseparáveis de proceder no caminho ecuménico que a sua
Comissão promove há vinte anos. Vinte anos: esta é a idade da juventude, a
idade em que são feitas escolhas decisivas.
Que este aniversário seja, portanto, uma oportunidade para louvar a Deus pelo caminho percorrido, recordando com gratidão aqueles que contribuíram para ele com a competência teológica e a oração, e que renove também a convicção de que a plena comunhão entre as nossas Igrejas não é apenas possível, mas urgente e necessária “para que o mundo creia".»
«Como a fase atual do seu diálogo diz respeito à Virgem Maria no ensinamento e na vida da Igreja, proponho que confiem o vosso trabalho a ela, a Santa Mãe de Deus e nossa Mãe», concluiu o Papa Francisco.
Mariangela Jaguraba, em Vatican News

Comentários
Enviar um comentário