Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 21-28): Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas.
Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: "Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus."
Jesus repreendeu-o, dizendo: "Cala-te e sai desse homem."
O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele.
Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: "Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!"
E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.» (Palavra da salvação)
O que é ensinar e agir com autoridade?
A palavra "autoridade" goza de má fama. Evoca autoritarismo, imposição e prepotência. No entanto, a sua etimologia sublinha exatamente o contrário. Vem do verbo latino augere, que significa crescer, aumentar e erguer. Vive e pratica a autoridade quem ajuda a crescer e eleva as pessoas.
É evidente, portanto, que a autoridade, na sua ideia original, não provém de uma posição ou de um título, mas é uma atitude da pessoa que escolheu viver em termos de ajuda, serviço e amor ao próximo.
Entendida desta forma, a prática da autoridade só é possível quando uma pessoa atingiu uma certa consistência interior, cultivou o seu amor-próprio e mostrou a sua capacidade de amar.
Com tudo isto, parece óbvio que "ensinar com autoridade", como é reconhecido a Jesus Cristo, exige uma dupla condição: por um lado, ter experimentado aquilo de que está a falar; por outro, vivê-lo em clave de serviço e amor para com os outros.
Quando alguém fala por experiência própria, a sua palavra ressoa no nosso interior, produz ecos capazes de despertar em nós aquilo que já sabíamos, mesmo que o tivéssemos esquecido ou mesmo ignorado. Pelo contrário, quando não se fala por experiência, o discurso soa vazio, dificilmente atrai a atenção da nossa mente e, muito menos, chega aos nossos corações.
Mais ainda, não basta falar do que foi vivido. É necessário mostrar paixão, entusiasmo, encanto na partilha, todavia sem cair na armadilha narcísica, que é o tentar passar uma imagem de heroísmo, destacar-se dos outros ou impor o próprio ponto de vista.
Ensina com autoridade quem, simplesmente, oferece, partilha e dá o que ele próprio viu e viveu. Ele não busca reconhecimento, nem aplausos, nem submissão, nem anseia convencer ninguém. Ele apresenta-se como um canal através do qual flui o que lhe foi dado viver.
Ensina com autoridade quem partilha o que se viveu, com o único objetivo de impulsionar as outras pessoas a compreender e a viver à sua maneira o que ele viveu, ou seja, dar um impulso para que os outros deem o seu melhor, cresçam na experiência de serviço e amor ao próximo.
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