Não raras vezes ouvimos os lamentos mais ou menos cansados de tanta gente que pede, pede e não alcança.
Alguns até dizem perder a vontade de rezar até ao ponto de se regozijarem da sua descrença face à oração, esqueceram isto: «A grandeza da oração reside principalmente no facto de não ter resposta, do que resulta que essa troca não inclui qualquer espécie de comércio» (Antoine de Saint-Exupéry).
Tudo isto acontece porque a tentação de materializar e coisificar a prática espiritual é uma constante em nós.
Pede-se fortuna, a pobreza multiplica-se.
Pede-se o fim das guerras, cada vez há mais guerras.
Pede-se o fim das violências de toda a ordem, cada vez há mais violência entre as pessoas.
Pede-se saúde, mas a doença não deixa de aparecer.
Pede-se a cura para as doenças, a morte existe sempre e está destinada para todos.
Pede-se força para manter o corpo sempre jovem, mas é angustiantemente difícil de esconder aquilo que a passagem dos anos não perdoa.
Pede-se tanta coisa que nos daria glória, fama e prestígio e longo bem-estar neste mundo, mas a verdadeira e maior riqueza da vida material é a sua fragilidade e a sua frivolidade.
Perguntam-me: O que devemos pedir, então?
Eu respondo: Nada de coisas…
Porque «finjo não vos ouvir, mas ouço-vos muito bem, e concedo ao vosso espírito aquilo de que têm precisão», como ensina Santa Catarina de Sena e também porque «Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma» (Mahatma Gandhi).
A convicção essencial do que é a oração encontrou-se na profundidade do sentir do poeta Walter Benjamim, que aplica a frase à obra de Kafka, indo por sua vez buscá-la a Malebranche: «A atenção é a oração natural da alma», a tudo o que faz respirar o mundo e a existência que nos rodeia.
Ninguém precisa de rezar, sejamos oração permanente.
Padre José Luís Rodrigues

Comentários
Enviar um comentário