Para o evangelista João, Jesus é o Bom Pastor. Quem é Ele para mim?

A figura do bom pastor aplicada a Jesus foi a usada pelo evangelista João no capítulo 10 do seu Evangelho. Ela interpela-me e leva-me a colocar-me uma questão importante: quem é Jesus para mim?

Antes de mais, Ele é o suporte da minha existência
A sociedade sem Deus de hoje corre o risco de pensar que somos seres lançados neste mundo sem outro objetivo que não seja o de vaguear pela vida até que a morte nos devolva ao nada de onde viemos.

Jesus, porém,  diz-nos que não o somos; que Deus está por detrás de quem somos, do mundo em que habitamos, da vida que vivemos e da relação com Ele, que nos mantém em caminho da Vida e Morada no Céu. Mas não se fica por aqui, diz-nos também como é Deus: é Abba, nos ama, nos dá o dom da Palavra e nos anima com o seu Espírito. E não só o diz, mas em Jesus, um ser humano como nós, podemos ver Deus.

Ele é também o meu ponto de referência vital
Somos propensos a entusiasmar-nos com o que não vale a pena, a optar pelo que não nos convém; pelo que estraga a nossa vida, e Jesus mostra-nos o caminho para a viver verdadeiramente, para não a estragar. E essa maneira é tornarmo-nos servidores, perdoar sempre a quem nos ofende, ser misericordiosos, padecer com quem sofre, contentarmo-nos com pouco, partilhar com quem nada tem, trabalhar pela paz e pela justiça... Em suma, não tentar fazer deste mundo uma morada definitiva, mas o caminho que nos conduz ao nosso destino.

Jesus é também o sentido da minha vida. Jesus convida-nos a empenharmo-nos numa missão capaz de preencher a vida de quem leva a sério esse convite, e essa missão é trabalhar para o Reino; isto é, participar no projeto de Deus; ocupar-nos das coisas do nosso Pai. O mundo não é compreendido se não for orientado para um fim, e esse fim não pode ser outro senão uma humanidade em plenitude. A boa notícia é que Deus quis fazer de nós (seus filhos) colaboradores necessários na sua obra.

É Ele, em última análise, que mantém viva a minha esperança de transcender a morte
Vemos que neste mundo tudo morre e desaparece, e a lógica leva-nos a estender este destino inexorável a nós próprios." «Viemos do nada de antes e vamos para o nada do depois», disse Heidegger, demonstrando um grande domínio da lógica humana. Mas Jesus mostrou-nos que não; que há mais vida depois da morte; que o nosso destino é Viver?

Jesus é para mim suporte, referência, sentido e esperança... um excelente pastor.

Miguel Ángel Munárriz Casajús, em Fé Adulta

Comentários