Diz o Evangelho, em Mateus 12, 32 (e no seu paralelo Lucas 12, 8-12): «Se qualquer disser
alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém
falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.»
Os pecados contra o Espírito Santo consistem na rejeição da
graça de Deus; trata-se da recusa da Salvação, da rejeição completa perante a
ação, os convites incessantes e as advertências do Espírito Santo. São pecados
em que a bondade de Deus é posta em questão. É pecado por pura malícia,
contrário à bondade que é o Espírito Santo. A vontade da pessoa que peca é tão
endurecida que ela não deseja a misericórdia de Deus e rejeita a Sua bondade.
O pecado contra o Espírito Santo é imperdoável, não porque Deus não queira perdoar, mas porque é o próprio pecador quem impede Deus de perdoá-lo. Como Deus respeita a
liberdade com que nos criou, Ele respeita a decisão do pecador de negar-se
firmemente a ser perdoado.
O Papa São Pio X ensinou, no seu Catecismo Maior, n.º 961, que são
seis os pecados contra o Espírito Santo:
1º – Desesperar da salvação, quando a pessoa perde as
esperanças na salvação, julgando que a sua vida já está perdida e que se
encontra condenada, antes mesmo do Juízo. Julga que a misericórdia divina é
pequena. Não crê no poder e na justiça de Deus.
2º – Presunção de salvação, quando a pessoa cultiva na sua
alma uma ideia de perfeição que implica um sentimento de orgulho. Considera
salva pelo que já fez. Apenas Deus sabe se aquilo que fizemos merece o prémio
da salvação ou não. A nossa salvação pode ser perdida, até o último momento da
nossa vida. Devemos crer na misericórdia divina, mas não podemos usurpar o
atributo divino inalienável do Juízo. O simples facto de já se considerar
eleito é uma atitude que indica a debilidade da virtude da humildade diante de
Deus. Devemos ter a convicção moral de que estamos certos nas nossas ações, mas
não podemos dizer que aos olhos de Deus já estamos definitivamente salvos.
3º – Negar a verdade conhecida como tal pelo ensino da Igreja,
quando a pessoa não aceita as verdades de fé (dogmas de fé), mesmo após
exaustiva explicação doutrinária. É o caso dos hereges, que consideram o seu
entendimento pessoal superior ao da Igreja e ao ensinamento do Espírito Santo
que auxilia o sagrado magistério.
4º – Inveja da graça que Deus dá aos outros. A inveja é um
sentimento que consiste em irritar-se porque o outro conseguiu algo de bom.
Mesmo que possua aquilo ou possa conseguir um dia. É o ato de não querer o bem
do semelhante. Se eu invejo a graça que Deus dá a alguém, estou a dizer que
aquela pessoa não merece tal graça, tornando-me assim o juiz do mundo. Estou a
voltar-me contra a vontade divina. Estou a voltar-me contra a Lei do Amor ao
próximo. Não devemos invejar um bem conquistado por alguém. Se este bem é fruto
de trabalho honrado e perseverante, é vontade de Deus que a pessoa desfrute
daquela graça.
5º – A obstinação no pecado, que é a vontade firme de
permanecer no erro mesmo depois da ação do Espírito Santo. A pessoa cria o seu
critério de julgamento ético. Ou simplesmente não adota ética nenhuma e assim
aparta-se da vontade de Deus e rejeita a Salvação.
6º – Impenitência final, que é o resultado de toda uma vida
de rejeição a Deus. O indivíduo persiste no erro até ao final e, recusando
arrepender-se e penitenciar-se, recusa a salvação até ao fim. Consagra-se ao
adversário de Cristo. Nem mesmo na hora da morte tenta aproximar-se do Pai,
manifestando humildade. Não se abre ao convite do Espírito Santo.
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