«Se és amado por alguém, és insubstituível para alguém. Somos únicos para quem nos ama, quem nos ama é único para nós» (Pedro Chagas Freitas)

É claro que há pessoas insubstituíveis.

Não é o cemitério que está cheio de insubstituíveis, é o coração. Se és amado por alguém, és insubstituível para alguém. Somos únicos para quem nos ama, quem nos ama é único para nós. Não tem mal nenhum não haver quem substitua quem amamos. É esse um dos sinais que os amamos. Não temos de ter medo de assumir, de sentir. Somos seres precisados uns dos outros. Somos uns dos outros, o que não quer dizer que tenhamos de deixar de ser nossos, inequivocamente nossos, inequivocamente quem somos.
 
É claro que há pessoas insubstituíveis.
 
Cuida delas, ama-as, procura-as, faz a felicidade possível com elas. Sê feliz, faz essas pessoas felizes, sempre que der, sempre que houver um nicho de oportunidade. Não fujas do que amas, é só assim que não foges de ti.
 
É claro que há pessoas insubstituíveis.
 
O que não há é pessoas que não sejam falíveis. Lembra-te disso. Sê compreensivo. Contigo, com o outro.
 
É claro que há pessoas insubstituíveis.
 
Só tens é de fazer com que não sejam as que te desmotivam, as que te dobram, as que te desligam. O amor é o que acende as luzes, nunca o que as apaga.
 
É claro que há pessoas insubstituíveis.
 
Tu és uma delas, a maior delas todas. Não queiras substituir-te por alguém que não és, não queiras vender-te ao que querem que sejas. Não te substituas, mantém-te em campo, até ao final do jogo, até ao apito derradeiro, a resistir, a sobreviver, a sonhar.
 
É claro que há pessoas insubstituíveis.
 
Até porque o mais recordado não é que deixa herança; é o que deixa saudade.
 
Pedro Chagas Freitas, escritor, em Instagram

Ninguém é substituível

Nas equipas de futebol como nas empresas, as funções podem ser reocupadas, mas as pessoas não podem ser substituídas. Os Anglo-saxónicos utilizam para estes dois conceitos duas palavras diferentes, que não têm correspondência literal na língua portuguesa. Dizem eles, e com razão, que uma pessoa pode ser “replaced” mas não pode ser “substituted”.

Uma vaga pode ser reocupada (replaced) por outra pessoa, que até poderá alcançar melhores resultados que o anterior ocupante. Mas isso não quer dizer que substitua (substituted) a pessoa. Ninguém consegue substituir o conhecimento resultante das suas experiências e vivências, a forma como se relacionava com a equipa, o seu networking interno e externo, a sua credibilidade junto dos clientes, etc. A nova pessoa irá, provavelmente, ter uma performance melhor numas áreas e pior noutras. Mas uma coisa é certa, o seu desempenho será diferente, porque cada ser humano possui uma individualidade própria e talentos únicos. É a diferença entre uma função e uma pessoa.

Cada vez mais, a gestão de activos humanos valoriza a individualidade criativa da pessoa em detrimento da generalidade estandardizada da função. Apesar disso, continuam a existir empresas apostadas manter culturas que valorizam as funções em detrimento das pessoas que as ocupam. Estas culturas, habitualmente formalistas e centralizadoras e hierarquizadas, usam regras e procedimentos detalhados com o objectivo de reduzir ao mínimo a margem de liberdade das pessoas. Por norma, originam ambientes de trabalho bem estruturados e organizados, mas fechados ao exterior, avessos á inovação, lentos a reagir e que tornam as pessoas infelizes.

As (boas) organizações dos nossos dias já se aperceberam que a única forma de sobreviver num mundo de elevada competitividade e mudança permanente, é aproveitarem ao máximo a energia e criatividade das suas pessoas. É por isso que quando alguém talentoso abandona uma organização, existe sempre uma perda de talento que não pode ser substituída. E se esse alguém possui talentos raros e absolutamente decisivos para a organização, então essa perda pode ser irreparável, porque mesmo que se reocupe a vaga (replacement) a pessoa não pode ser substituída.

José Bancaleiro, sócio-gerente de Stanton Chase Portugal

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