Jesus Cristo foi vitima de rótulos depreciativos que desqualificam, mas deu-nos um exemplo

Do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 3, 20-30): «
Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: "Está fora de Si." Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: "Está possesso de Belzebu", e ainda: "É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios". Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: "Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar."»
Palavra da Salvação
 
Rótulos que desqualificam
Com frequência, as pessoas recorrem a desqualificações do seu próximo. Uma das maneiras consiste em impor um rótulo depreciativo àqueles que discordam dos seus pontos de vista.
 
Também acontecia no tempo de Jesus. E Ele foi uma das vítimas. Uma das acusações mais graves, destinada a desqualificar definitivamente alguém, era rotulá-lo de "demoníaco" ou possuído por Satanás.
 
Observado atentamente, o fenómeno da desqualificação esconde pelo menos estas características: preguiça intelectual, autoafirmação do ego, desprezo pelo outro e insegurança afetiva básica.
 
Em primeiro lugar, é mais fácil colocar um rótulo do que entrar num diálogo fundamentado e sereno que exige inteligência, lucidez, serenidade e empatia.
 
Em segundo lugar, quem desqualifica não procura, ainda que inconscientemente, senão afirmar o seu próprio ego acima de todos os outros.
 
Em terceiro lugar, neste confronto, surgem facilmente atitudes de desprezo que procuram desvalorizar o outro como meio de autoafirmação.
 
E, finalmente, na base deste tipo de comportamento está, embora não se note conscientemente, um sentimento de insegurança afetiva profundamente enraizado e talvez reprimido: só quem se sente inseguro procura rebaixar ou anular o outro.
 
Frente à tendência para desqualificar, que é frequentemente acompanhada de azedume, a mensagem e o exemplo de Jesus Cristo é a coexistência saudável, que exige apreciação do outro, respeito e empatia.

Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?» E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe» (Mc 3, 31-35).

Enrique Martínez Lozano, em Fé Adulta

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