Aposto que muitos de vocês já se interrogaram se não estaria
na hora de mudar algumas regras relativas à etiqueta comportamental entre
amigos e família.
Aqui há uns anos, decidi marimbar-me para a tradição e para
o “parece-mal”; e decidi criar e aplicar as minhas próprias regras, mais
adequadas, acredito, às relações de amizade que se querem francas, elásticas,
coloridas e descontraídas. Comecei a pôr a coisa em prática entre os meus e,
até hoje, não foi pela aplicação das ditas regras às nossas relações que perdi
algum deles.
Atrevam-se, pois, a aplicá-las, sem medos nem pruridos, e
vão ver que a sanidade da vossa rede amical sofrerá uma colossal melhoria e,
por arrasto, também a sanidade mental de todos vós. Aqui vão elas:
Regra 1 – O Templo
A nossa casa é um Templo e, como tal, só gente sagrada deve
lá entrar, ou seja, os Amigos. Nada de escancarar as portas do vosso santuário,
ou de esbanjar o pouco e precioso tempo que vos resta de vida, com pessoas que
não (ou ainda não) ultrapassaram a fasquia de meros conhecidos, colegas de
trabalho, do ginásio ou dos workshops de sushi e espiritualidade,
membros da família que vos saíram na Lotaria do Azar ou “gente-marca” (gente
que serve apenas para ser exibida da mesma forma que se exibe um sinal exterior
de riqueza, de estatuto social ou de suposta superioridade intelectual).
Regra 2 – Atrasos
Não admitam atrasos. Tolerância ZERO para aquela malta que
sofre de dislexia temporal seletiva, ou seja, atrasam-se sempre para um
encontro marcado convosco, mas nunca para uma consulta de nutrição, para a
reunião com o querido chefe ou para apanhar o voo para o Dubai. Nunca entendi
por que raio se considera normal que quem chega a horas ao compromisso (sejam
duas, duzentas ou duas mil pessoas!) tenha de esperar por esse UM ou UMA que
invariavelmente se atrasa. Ok, sejamos benevolentes... estendam a tolerância
até 15 minutos. Mas depois disso é deixá-los, em tempo igual ao do atraso, a
tocar à campainha sem lhes abrir a porta.
Regra 3 – E se morrer até lá?
“Tenho de dar já a resposta? Oh Paulinha, mas eu sei lá o
que me acontece até lá!”.
Pois... lá isso é verdade... eu também não sei o que me
acontece até daqui a 1 minuto. O que sei é que se me apetece estar com alguém
(... e não pretendo é perceber se me surge um programa melhor até lá...) saco
da agenda e acertamos dia e hora logo ali. E se, entretanto, sofrer de uma
embolia fulminante, partir os dentes da frente ou até mesmo se me aparecer um
programa melhor, sabemos que tudo se fala e recombina entre amigos que o são de
verdade.
Regra 4 – Deve e haver
Nas relações de amizade também há contabilidade. A amizade
tem de ser lucrativa para os dois lados. Se dou, quero receber. Se abro as
portas do meu templo, disponibilizo o meu tempo e recrio a minha agenda de
oportunidades para poder estar com as pessoas de quem gosto, espero que elas
façam o mesmo, nos mesmos moldes. Atenção que estes cálculos contabilísticos
devem ser sempre feitos nos dois sentidos. Isto para que não corramos o risco
de deparar com uma situação de falência de amizade por dívidas da nossa parte
para com a outra...
Regra 5 – Nem tarde nem cedo
E para finalizar, nunca se esqueçam desta: nunca é tarde
demais para mudar as regras, criar novas ou despachar as que não fazem mais
sentido, nem cedo demais para brindar às Amizades, às que são, às que já foram
e às que virão!
Paula Calheiros Pato, comunicóloga
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