Cinco novas regras de civilidade entre amigos

Aposto que muitos de vocês já se interrogaram se não estaria na hora de mudar algumas regras relativas à etiqueta comportamental entre amigos e família.
 
Aqui há uns anos, decidi marimbar-me para a tradição e para o “parece-mal”; e decidi criar e aplicar as minhas próprias regras, mais adequadas, acredito, às relações de amizade que se querem francas, elásticas, coloridas e descontraídas. Comecei a pôr a coisa em prática entre os meus e, até hoje, não foi pela aplicação das ditas regras às nossas relações que perdi algum deles.
 
Atrevam-se, pois, a aplicá-las, sem medos nem pruridos, e vão ver que a sanidade da vossa rede amical sofrerá uma colossal melhoria e, por arrasto, também a sanidade mental de todos vós. Aqui vão elas:
 
Regra 1 – O Templo
A nossa casa é um Templo e, como tal, só gente sagrada deve lá entrar, ou seja, os Amigos. Nada de escancarar as portas do vosso santuário, ou de esbanjar o pouco e precioso tempo que vos resta de vida, com pessoas que não (ou ainda não) ultrapassaram a fasquia de meros conhecidos, colegas de trabalho, do ginásio ou dos workshops de sushi e espiritualidade, membros da família que vos saíram na Lotaria do Azar ou “gente-marca” (gente que serve apenas para ser exibida da mesma forma que se exibe um sinal exterior de riqueza, de estatuto social ou de suposta superioridade intelectual).
 
Regra 2 – Atrasos
Não admitam atrasos. Tolerância ZERO para aquela malta que sofre de dislexia temporal seletiva, ou seja, atrasam-se sempre para um encontro marcado convosco, mas nunca para uma consulta de nutrição, para a reunião com o querido chefe ou para apanhar o voo para o Dubai. Nunca entendi por que raio se considera normal que quem chega a horas ao compromisso (sejam duas, duzentas ou duas mil pessoas!) tenha de esperar por esse UM ou UMA que invariavelmente se atrasa. Ok, sejamos benevolentes... estendam a tolerância até 15 minutos. Mas depois disso é deixá-los, em tempo igual ao do atraso, a tocar à campainha sem lhes abrir a porta.
 
Regra 3 – E se morrer até lá?
“Tenho de dar já a resposta? Oh Paulinha, mas eu sei lá o que me acontece até lá!”.
Pois... lá isso é verdade... eu também não sei o que me acontece até daqui a 1 minuto. O que sei é que se me apetece estar com alguém (... e não pretendo é perceber se me surge um programa melhor até lá...) saco da agenda e acertamos dia e hora logo ali. E se, entretanto, sofrer de uma embolia fulminante, partir os dentes da frente ou até mesmo se me aparecer um programa melhor, sabemos que tudo se fala e recombina entre amigos que o são de verdade.
 
Regra 4 – Deve e haver
Nas relações de amizade também há contabilidade. A amizade tem de ser lucrativa para os dois lados. Se dou, quero receber. Se abro as portas do meu templo, disponibilizo o meu tempo e recrio a minha agenda de oportunidades para poder estar com as pessoas de quem gosto, espero que elas façam o mesmo, nos mesmos moldes. Atenção que estes cálculos contabilísticos devem ser sempre feitos nos dois sentidos. Isto para que não corramos o risco de deparar com uma situação de falência de amizade por dívidas da nossa parte para com a outra...
 
Regra 5 – Nem tarde nem cedo
E para finalizar, nunca se esqueçam desta: nunca é tarde demais para mudar as regras, criar novas ou despachar as que não fazem mais sentido, nem cedo demais para brindar às Amizades, às que são, às que já foram e às que virão!

Paula Calheiros Pato, comunicóloga

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